O relatório foi divulgado após uma sessão de forte aversão ao risco nos mercados brasileiros, marcada por uma queda de cerca de 14% do Ibovespa e pela primeira acionamento de mecanismos de circuit breaker desde 2020.
Bolsa perde R$ 734 bi na sessão pós-eleições, quase o valor de mercado da Petrobras.
Dólar hoje cai mais de 1% após forte alta registrada com vitória de Lula.
A alta registrada na segunda-feira, na esteira da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi a maior da moeda americana em 23 anos.
O JPMorgan reiterou sua recomendação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) e avalia que o mercado ainda não incorpora integralmente os benefícios de uma eventual desvalorização adicional do real.
Além do câmbio, o banco vê espaço para uma reavaliação das ações com a redução do endividamento e os ganhos de eficiência operacional.
Redução da dívida pode impulsionar ações da Suzano.
Para o JPMorgan, a próxima etapa de valorização pode vir principalmente de iniciativas internas da companhia, com prioridade para a redução do endividamento e a disciplina na alocação de capital.
A administração também sinalizou que não pretende realizar aquisições que exijam grandes desembolsos de caixa.
Uma das frentes é a monetização de ativos próprios, especialmente terras, florestas e portos. A estratégia busca gerar recursos recorrentes sem comprometer a flexibilidade operacional da empresa.
O plano inclui melhorias em silvicultura e genética, além da redução do consumo de madeira e produtos químicos nas fábricas.
Na frente de crescimento, a Suzano pretende manter uma estratégia disciplinada, concentrada em oportunidades escaláveis nos negócios a jusante, por meio da Arbex.
A companhia também considera possíveis parcerias para acelerar a entrada nesses mercados, com foco em projetos que ampliem o retorno sobre o capital investido.
Dividendos e recompra podem ganhar espaço com menor alavancagem.
O JPMorgan aponta que, quando a alavancagem atingir cerca de 2,5 vezes, a estratégia de alocação de capital da Suzano deverá mudar. A partir desse patamar, a companhia pretende investir apenas em projetos com retorno superior ao retorno exigido sobre o capital e devolver recursos aos acionistas nos demais casos.
Esse movimento pode abrir espaço para elevar a distribuição de dividendos para além da referência de aproximadamente 25% do lucro líquido, além de manter os programas de recompra de ações.
Na avaliação do banco, a combinação entre câmbio favorável, redução do endividamento, ganhos de produtividade e disciplina nos investimentos pode sustentar uma reavaliação dos papéis da Suzano.
Em números
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