A defasagem entre o preço do diesel vendido pela Petrobras (PETR3; PETR4) e as cotações internacionais pode resultar em um forte reajuste do combustível após o segundo turno das eleições presidenciais, segundo avaliação do Goldman Sachs.
Os analistas do Goldman apontam em relatório que o preço realizado do diesel pela Petrobras (incluindo subsídios do governo) esteja 21% abaixo da paridade internacional do diesel, mas sob uma assimetria de subsídios que atualmente favorece o diesel importado em detrimento dos volumes refinados internamente.
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Apesar disso, o Goldman não incorpora um reajuste em seu cenário-base. O banco argumenta que há incerteza sobre a continuidade dos subsídios concedidos aos importadores de diesel e, por isso, mantém a premissa de preços estáveis até o fim do ano.
Ainda assim, reconhece que um aumento do diesel representa um risco positivo para as margens de refino da Petrobras no quarto trimestre.
Na avaliação do banco, uma eventual alta do diesel seria claramente positiva para a Petrobras, mas teria efeitos mistos sobre o restante da cadeia de combustíveis.
Segundo o relatório, distribuidoras como Vibra (VBBR3) e Ultrapar (UGPA3) poderiam ser prejudicadas, já que obtêm uma parcela relevante do diesel diretamente de refinarias locais.
O Goldman manteve recomendação neutra para as duas companhias, argumentando que o setor já opera próximo do pico de rentabilidade e que os múltiplos não estão mais baratos.
Por outro lado, o banco reconhece que os papéis ficaram relativamente mais atrativos após o desempenho inferior ao mercado desde o primeiro turno das eleições. Enquanto o índice de small caps acumula alta de cerca de 18% e o Ibovespa sobe aproximadamente 7% no período analisado, Vibra recuou 4% e Ultrapar avançou apenas 4%.
Subsídios reduzem pressão por aumento imediato.
O Goldman também chama atenção para uma peculiaridade da atual política de subsídios. Desde a escalada do conflito no Oriente Médio, o governo federal passou a compensar produtores e importadores de diesel para reduzir o impacto da alta do petróleo sobre os preços domésticos.
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Por isso, o banco avalia que qualquer decisão relevante sobre preços provavelmente ficará para depois do segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro.
Além dos reflexos corporativos, um reajuste teria implicações macroeconômicas relevantes. O Goldman calcula que uma alta de aproximadamente 50% no preço cobrado pela Petrobras às distribuidoras poderia resultar em um aumento próximo de 20% nos preços do diesel nas bombas.
Nesse cenário, o impacto direto sobre o IPCA seria relativamente pequeno, entre 5 e 6 pontos-base.
O problema estaria nos efeitos indiretos, uma vez que o diesel é um dos principais insumos do transporte de cargas no país, os custos logísticos mais elevados tenderiam a se espalhar pela economia.
O banco estima um impacto indireto de cerca de 16 a 18 pontos-base, levando o efeito total sobre a inflação para algo entre 21 e 24 pontos-base.
O relatório também aponta que tarifas de frete rodoviário poderiam subir, beneficiando alternativas ao transporte por caminhões. Nesse contexto, a operadora ferroviária Rumo (RAIL3) é citada como uma possível beneficiária indireta do cenário.
Cenário extremo levaria diesel a R$ 9 ou R$ 10.
O banco também desenhou um cenário mais agressivo, no qual todos os subsídios ao diesel seriam eliminados nos próximos meses.
Por enquanto, porém, o Goldman considera mais provável a manutenção dos preços da Petrobras até o fim do ano, enquanto o mercado aguarda definições sobre a política de subsídios e o cenário político após o segundo turno.
Em números
- Cenário extremo levaria diesel a R$ 9 ou R$ 10
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