O faturamento do setor de panificação e confeitaria no Brasil cresceu 3,24% no acumulado de janeiro a maio de 2026 em comparação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados do Ideal (Instituto de Desenvolvimento das Empresas de Alimentação).
O ritmo é mais moderado que o dos anos anteriores, quando o setor cresceu 9,35% em 2025 e 8,80% em 2024.
O avanço é sustentado pela alta de 5,75% no tíquete médio nacional do consumidor, enquanto o fluxo de clientes nas padarias cai 2,31% no período.
A expansão do tíquete médio é liderada pelo Sul (10,51%), Norte (9,40%) e Nordeste (5,95%), seguidos por Centro-Oeste (4,84%) e Sudeste (4,18%). Em faturamento, Norte (6,58%) e Nordeste (5,77%) registram o maior ritmo de crescimento no período.
A Lesaffre, francesa do setor da panificação que atua no Brasil, atribui o aumento do ticket médio principalmente à busca do consumidor por produtos de maior valor agregado —como pães de massa madre, longa fermentação e maior validade—, mas afirma que também há repasse de custos maiores da cadeia produtiva.
Segundo a empresa, pode haver aumento de preço ligado à inflação, mas o fator determinante é a mudança no perfil de consumo, com o cliente disposto a pagar mais por produtos diferenciados.
A participação da produção própria no faturamento das padarias atinge 70,59% em 2026, maior patamar da série histórica: ante 67,91% em 2025 e 68,80% em 2024.
Para o consultor empresarial Emerson Amaral, diretor-executivo da Ideal, o cenário reforça a necessidade de transformação nos processos produtivos: "A desaceleração do crescimento para 3,24% e a queda de fluxo deixam claro que o crescimento seguirá baseado na capacidade de atrair o cliente à loja em seus variados momentos de consumo.
Segundo André Tesini, diretor comercial e de marketing de panificação da Lesaffre Brasil, a produção própria é o principal diferencial competitivo da padaria em relação a outros canais de venda: "Quando mais de 70% do faturamento vem de itens fabricados internamente, qualquer variação de padrão ou perda por envelhecimento na gôndola afeta diretamente o lucro.
A empresa avalia que a tendência de saudabilidade, incluindo o debate sobre glúten, não representa uma barreira ao crescimento do segmento, ainda pequeno no Brasil se comparado a outros países da América do Sul —o consumo per capita de pão no país é inferior à metade do registrado na Argentina e no Chile.
Para o executivo, parte do potencial de expansão do setor depende de o brasileiro incorporar o consumo de pão a outras refeições além do café da manhã, hábito ao qual o item permanece concentrado hoje.
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Fontes
Informação baseada em material público de Folha Mercado, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.