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Economia

Entenda em cinco pontos a ligação entre Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro

Relação entre senador e advogado remonta a 2019, acumulando endereços, negócios e voos compartilhados

6 min de leitura
Economia — imagem padrão

Pelotas (RS) O senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado na eleição presidencial neste domingo (25), foi intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes (comum e diplomático) e está proibido de deixar o país, por decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.

A decisão de Moraes prevê ainda que ele está proibido de se comunicar com Willer Tomaz, advogado que é amigo do senador e investigado por suspeita de lavagem de dinheiro.

Willer também é investigado pela operação Sem Desconto, contra fraudes no INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social). A relação entre Flávio e Willer, que estão no centro de uma investigação da PF por lavagem de dinheiro com bets, remonta ao menos a 2019.

Montagem com imagem do senador Flávio Bolsonaro (à esq.), durante entrevista à Folha em seu gabinete no senado federal, e de Willer Tomaz (à dir.) durante Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) - Pedro Ladeira - 15.mar.

23/Folhapress e Edilson Rodrigues/Agência Senado A aproximação entre Flávio e o advogado começou quando Willer defendeu o ex-ministro do turismo de Jair Bolsonaro, Marcelo Álvaro Antônio, em uma denúncia por uso de candidaturas laranjas.

Na CPI da Covid em 2021, aparece a primeira gravação em que Flávio chama o advogado de amigo.

Após aparecerem as primeiras suspeitas de sociedade entre Willer e Flávio, os dois reiteraram que os laços entre suas famílias eram apenas de amizade. Negaram também irregularidades.

Às vésperas da eleição de domingo, Moraes decretou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e cambial de uma das holdings de Willer. Também determinou o cancelamento dos passaportes do investigado, inclusive um diplomático, a suspensão das atividades econômicas, financeiras e empresariais de todas as suas empresas.

A ligação mais direta entre o senador e o advogado até agora, de acordo com a PF, foi a presença de Flávio como usuário master da conta bancária de pessoa jurídica da Alcazar Holdings, uma companhia de Willer registrada na Ilha da Madeira.

A informação foi revelada pelo UOL e confirmada pela Folha.

Como mostrou a revista piauí, Alcazar Holdings pode ter financiado a Cathedral, única acionista do conglomerado de bets Rede Loto. Esta empresa foi a primeira casa de apostas online a obter uma licença de operação no país, concedida pelo governo fluminense, como mostrou a Folha.

A Rede Loto foi aberta em 17 de fevereiro de 2023, cerca de dois meses antes de o governo fluminense iniciar o licenciamento de sites de apostas. O responsável pelos trâmites era o presidente da Loterj (Loteria do Estado do Rio de Janeiro), Hazenclever Cançado, nomeado por Cláudio Castro, por sugestão de Flávio, e ex-colega de advocacia de Willer.

Segundo reportagem da revista piauí, a PF abriu um inquérito para investigar se o senador é sócio oculto da BestBet.

Veja fotos de sala secreta para guardar dinheiro em hangar usado por amigo de Flávio Bolsonaro.

Carregando... Willer e seus familiares detêm a maioria das ações da companhia portuguesa Cathedral Holdings, única acionista da Rede Loto, que controla a BestBet.

Como mostrou reportagem da Folha, a empresa que controla a BestBet pagou voos entre Portugal e França em 2025 para Flávio. Quando a informação foi revelada, a assessoria do senador disse que a relação dele com Willer é exclusivamente de amizade.

Associar essa afinidade pessoal a suposições de irregularidades é mera ilação, sem qualquer fundamento nos fatos", afirmou à época.

Segundo investigações da PF, Willer e Flávio compartilharam uma conta bancária de pessoa jurídica e viajaram juntos, ao lado de familiares, em jatos executivos para os Estados Unidos, Europa e África.

A sequência de viagens identificada pela PF começou em janeiro de 2025, quando Flávio, sua esposa, duas filhas e Willer voaram de Fort Lauderdale (EUA) para Brasília.

O trajeto foi realizado no jato Legacy 650 (prefixo PP-NLR), de propriedade da Fraction 024 Administração de Bem Próprio S. A. —sociedade controlada pela Prime You, fundada por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

A aeronave é a mesma que, segundo a PF, seria usada em uma tentativa de fuga para Dubai. Willer afirmou ter custeado o trecho com horas de sua própria cota e declarou que os passageiros viajaram como seus convidados.

Em julho de 2020, Flávio visitou pela primeira vez uma ilha no Rio de Janeiro que, desde 2022, tem seus direitos de posse cedidos a uma empresa de gestão de ativos imobiliários de Willer.

Em 13 de maio de 2022, uma liminar consolidou o entendimento de que o direito de uso do espaço era de Willer. Vizinhos do local e o jogador Richarlison, entretanto, afirmam que é Flávio quem mais frequenta o local.

No último dia 17, o jogador e um grupo de advogados pediram que a PF investigue o envolvimento do senador na disputa pela posse da propriedade de luxo em Angra dos Reis (RJ).

Segundo o atleta, o imóvel foi tomado "na mão grande" por meio de manobras judiciais.

Ainda estão no mesmo endereço empresas abertas em nome de Flávio e de Antônio Carlos Camilo, o Careca do INSS, ambos ligados a Tomaz por investigações contra lavagem de dinheiro da PF.

A coincidência foi revelada pelo site ICL.

A empresa de capacetes de grafeno, Bravo Grafeno, da qual Flávio e o pai, Jair Bolsonaro, são sócios, está na mesma sala comercial em Águas Claras, cidade-satélite do DF, que a construtora de Camilo, a RPLD.

O Careca do INSS tem um principal sócio, Alexandre Caetano dos Reis, cuja irmã, Letícia Caetano dos Reis, é diretora estatutária do escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro.

Em notas anteriores, Flávio afirmou que as notícias sobre seu escritório são tentativas de criminalizar a advocacia.

Durante a campanha presidencial, Flávio também atuou paralelamente como advogado de um empresário cliente de Willer. O senador ingressou no caso em 2022 como representante de Mário Gadelha Simas Filho, em uma disputa de sócios da Simas Industrial de Alimentos, uma das maiores fábricas de balas e pirulitos do país.

À época, Willer também advogava para o empresário e não teve sua representação revogada nos autos, mas, desde então, foi Flávio quem passou a assinar as peças do caso.

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