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Economia

Descompasso entre vendas e produção é maior do que parece no Brasil, diz presidente da Nissan

Empresa se prepara para adaptar operação ao fim da escala 6x1 e prevê custo maior

5 min de leitura
Economia — imagem padrão

São Paulo O descompasso entre as vendas e a produção de veículos no Brasil é maior do que os números oficiais sugerem. Essa é a visão de Ricardo Gondo, presidente da Nissan do Brasil.

  • Veículos vendidos (2025): 3,2 milhões.
  • Principais concorrentes: Volkswagen, Stellantis, Toyota, Hyundai, Honda, GM, BYD.

O executivo, que assumiu o cargo há pouco mais de dois meses, vê problemas no avanço dos regimes CKD e SKD, em que os carros são importados em partes ou parcialmente montados.

Pelos números oficiais da Anfavea (associação das montadoras), a produção de veículos leves e pesados registrou alta de 8,7% entre janeiro e setembro, com 2,17 milhões de unidades fabricadas.

Entretanto, Gondo afirma que, ao se excluir os processos CKD e SKD da conta, a alta é de 2,5% na comparação com os primeiros nove meses de 2025.

Ricardo Gondo, presidente da Nissan no Brasil, participa de café da manhã com jornalistas na sede da empresa, em São Paulo - Eduardo Sodré/Folhapress No mesmo período, as vendas acumulam alta de 18,1%, com 2,26 milhões de unidades emplacadas.

A boa notícia é que o mercado está crescendo, com expectativa superior a 3 milhões de unidades comercializadas em 2026", diz o presidente da Nissan do Brasil, sem esconder a preocupação com os rumos do setor.

O mercado neste ano está bastante complexo, com transformações rápidas acontecendo", afirma o executivo, usando como exemplo as mudanças na preferência do consumidor, que antes optava por sedãs e agora deseja SUVs.

A transição acontecia de forma gradativa, mas a velocidade mudou.

Gondo diz que essa variação do ritmo iniciou-se há menos de três anos no Brasil, e a razão está no avanço chinês. O público aderiu aos modelos eletrificados, e a intensidade desse fenômeno não pode ser acompanhada pela sempre conservadora indústria japonesa.

Grande parte do crescimento da participação dos regimes CKD e SKD vem daí, puxada pelas linhas de montagem da BYD em Camaçari (BA), da GWM em Iracemápolis (interior de São Paulo), da Geely em São José dos Pinhais (PR) e dos elétricos chineses da General Motors montados em Horizonte (CE).

A indústria automobilística envolve uma cadeia de valor extensa. A cada emprego que geramos, há outros nove ou dez nessa cadeia. Se estamos trazendo de fora, não há geração de empregos no Brasil", afirma Gondo.

Veja destaques do Ranking Folha Mauá 2026.

Carregando... O executivo defende que haja uma política industrial e elogia programas de incentivo como o Move Brasil. "Se não houvesse esses programas, será que estaríamos aguardando um mercado de 3 milhões de unidades vendidas.

Apesar do aumento da concorrência e das críticas à estratégia fabril chinesa, a Nissan vive um bom momento no país. Foram produzidos 65. 640 veículos na planta de Resende (RJ) entre janeiro e setembro, uma alta de 29,5% na comparação com o mesmo período de 2025.

A marca espera manter o ritmo de crescimento, mas, com o fim da escala 6x1, precisa readequar suas atividades industriais.

Eu acho que aqui não tem discussão. Em todos os países em que a Nissan atua, temos que nos adaptar às regras do jogo para a indústria, para os serviços, para todo mundo.

Já estamos prontos para nos adaptar", diz o presidente da Nissan do Brasil.

Já havia um plano preparado [para o fim da escala 6x1] e iremos implementá-lo", complementa Gondo. O executivo também afirma que, no curto prazo, a mudança na regra trabalhista terá impacto nos custos.

Enquanto a produção cresce, as vendas seguem basicamente no mesmo patamar do ano passado, com queda de 0,2% no acumulado do ano. O número parece estranho, mas é explicado pelo fim das importações do sedã Sentra, que vinha do México, e pelo fechamento da fábrica da montadora na Argentina, onde era produzida a picape Frontier.

Há, portanto, menos produtos disponíveis.

Houve também um avanço nas exportações. A montadora japonesa enviou 14. 716 carros para 13 países da América Latina entre janeiro e setembro, o que representa uma alta de 145% em relação a igual período de 2025.

A fábrica brasileira tem ganhado relevância na região.

Mas o presidente da Nissan do Brasil não descarta que alguns produtos cheguem ao país seguindo os regimes CKD e SKD. A montadora tem estudos sobre o tema, embora ainda não haja definições.

Em agosto, a empresa confirmou que terá seis lançamentos na América Latina nos próximos meses, sendo três com tecnologias híbridas ou puramente elétricas. A lista ainda não foi revelada, mas deve incluir modelos de origem chinesa como o sedã elétrico N7.

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Em números

  • Produção de veículos leves e pesados registrou alta de 8,7% entre janeiro e setembro, com 2,17 milhões de unidades fabricadas
  • Paulo - Eduardo Sodré/Folhapress No mesmo período, as vendas acumulam alta de 18,1%, com 2,26 milhões de unidades emplacadas
  • A boa notícia é que o mercado está crescendo, com expectativa superior a 3 milhões de unidades comercializadas em 2026", diz o presi
  • Se não houvesse esses programas, será que estaríamos aguardando um mercado de 3 milhões de unidades vendidas

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