Para Luiz Urquiza, diretor-presidente da Bodytech, os modelos de negócios das academias não "pressupõem" o atendimento para usuários de canetas emagrecedoras. Mas, ao contrário do que se pode pensar, o executivo não vê Mounjaro, Ozempic, Wegovy e afins como o problema.
Segundo ele, a probabilidade é que, com a queda da patente e a redução dos preços, esses produtos se tornem o principal vetor do crescimento do segmento de academias.
O executivo também enxerga o envelhecimento da população brasileira como outra megatendência que vai possibilitar "uma enorme expansão do mercado.
A Bodytech Company é a maior rede de academias premium do país. A empresa opera atualmente cerca de cem unidades e tem 150 mil clientes ativos.
Como se manter relevante em meio ao crescimento agressivo do segmento de academias, inclusive no segmento premium em que a Bodytech também atua? Monitoro megatendências.
A primeira, e importantíssima, é o envelhecimento da população. Essa é uma fronteira que vai possibilitar, na minha opinião, uma enorme expansão do mercado. O segundo ponto, ligado a esse primeiro, é a medicina preventiva.
As empresas estão investindo cada vez mais em prevenção como forma de diminuir absenteísmo, melhorar o ambiente de trabalho, a saúde mental e a produtividade. A terceira questão é a inteligência artificial.
Ela abre um mundo de perspectivas na relação com o consumidor, na forma como você entrega os serviços, melhora a qualidade, monitora e acompanha as pessoas.
Qual é o resultado dessas observações? Em vez de nos posicionarmos como uma rede de academias, o caminho natural é nos posicionarmos como uma plataforma de saúde, de prevenção e de socialização.
O conjunto saúde, bem-estar, fitness, suplementos e rede de academia está saindo de apenas uma fração do PIB para uma fatia mais relevante. Isso amplia a possibilidade de prospectar novos consumidores e novas fronteiras de receita.
Qual é o papel das canetas emagrecedoras nesse momento do mercado? Elas ajudam ou atrapalham? Ajudam muito. Elas podem se tornar, à medida que os preços caiam com o fim das patentes, um dos maiores vetores de impulso do mercado.
Os clientes passaram a utilizar as canetas de forma massificada, mas o nosso setor não necessariamente acompanhou essa velocidade na prestação do serviço adequado, porque muitos modelos de negócio não pressupõem esse tipo de atendimento.
A Bodytech fechou exclusividade com o Wellhub (ex-Gympass). Por que escolher um agregador e não estar em todos? É impossível para uma rede de academias competir sozinha com esse modelo.
Por isso é preciso se aliar a ele. Estabelecemos, já em 2019, um número interno de referência: no máximo cerca de um quarto da receita da companhia viria de agregadores.
Ter um único agregador nos dá poder de barganha, voz ativa perante o parceiro e capacidade de controlar a migração de clientes, equilibrando as forças entre as partes.
Vocês estão acelerando a abertura de unidades pelo modelo de franqueamento. Quais são os desafios encontrados nessa frente? A reflexão que fizemos em meados do ano passado parte de uma pressão histórica para expandir nacionalmente e levar a Bodytech a cidades médias do Brasil.
O cenário econômico apertado pode penalizar franqueadores e consumidores. Como isso entra no planejamento? A preocupação central é sempre com a evolução de renda e emprego, porque, independentemente de todas as megatendências que mencionei, renda e emprego são absolutamente determinantes para a decisão do consumidor de alocar recursos a entretenimento, saúde preventiva e lazer.
Isso não vem se materializando de forma acentuada, mas é uma variável que não se pode desconsiderar.
Luiz Urquiza, 64 1962, São Paulo É diretor-presidente e sócio da Bodytech Company. Engenheiro mecânico pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), iniciou sua trajetória no mercado financeiro e de tecnologia, onde presidiu o Banco1.net, liderou a Quatro/A Telemarketing —posteriormente adquirida pelo Grupo Telefônica— e atuou como diretor de Produtos do Unibanco.
À frente da Bodytech há mais de 20 anos e como CEO desde 2008, liderou a expansão nacional da companhia.
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Em números
- A empresa opera atualmente cerca de cem unidades e tem 150 mil clientes ativos
Fontes
Informação baseada em material público de Folha Mercado, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.