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Economia Revisado por ULTRA AI

Fundo pede arbitragem para evitar oferta pública de ações de mais de R$ 6 bilhões da Oncoclínicas

Requerimento da gestora americana Centaurus acontece às vésperas de julgamento do caso pela CVM

3 min de leitura
Economia — imagem padrão

O fundo Josephina 3, da gestora americana Centaurus Capital, entrou neste sábado (22) com um pedido de arbitragem contra a gestora Latache na câmara da B3, a Bolsa de Valores do Brasil.

O requerimento busca evitar a realização de uma OPA (Oferta Pública de Aquisição de Ações) da Oncoclínicas e acontece às vésperas do julgamento sobre o caso pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

O fundo é hoje um dos principais acionistas da Oncoclínicas e está no centro do imbróglio envolvendo a operação.

Em 2024, houve um desmembramento em dois fundos: um do Goldman e outro da Centaurus (Josephina 3). Foi nesse momento que a gestora apareceu publicamente no negócio, com pouco mais de 16%.

Em junho deste ano, o fundador e ex-CEO da Oncoclínicas, Bruno Ferrari, apresentou à CVM o pedido de OPA, argumentando que a Centaurus não constava entre os acionistas relevantes antes da abertura de capital da companhia na Bolsa (IPO), feita em 2021.

O estatuto da Oncoclínicas tem uma poison pill (cláusula de proteção) determinando que investidores que atinjam uma participação superior a 15% depois do IPO façam uma OPA, oferta pública para comprar as ações de outros acionistas.

O valor da aquisição, segundo o documento, precisa corresponder a 120% da maior cotação do papel nos 12 meses anteriores ao evento que gerou o gatilho.

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Na prática, o processo obriga a Centaurus a pagar um prêmio pelas ações. Isso eleva o desembolso da gestora e pode beneficiar acionistas que queiram vender sua participação por um preço maior.

Cláusulas desse tipo servem para proteger os minoritários da concentração gradual de participação sem pagamento de prêmio.

A Latache seria uma das principais beneficiadas. A gestora tem hoje uma participação de cerca de 15% e liderou o movimento pela OPA.

A CVM marcou o julgamento do caso para a próxima terça (25). A área técnica da comissão se manifestou contra a OPA, mas pessoas com conhecimento do processo acreditam que o colegiado tem maioria para se posicionar de forma favorável.

O pedido de arbitragem da Centaurus a poucos dias do julgamento sinaliza pessimismo em relação ao resultado. Pessoas ligadas ao procedimento afirmam, porém, que a arbitragem seria acionada de qualquer forma, pois está prevista no estatuto.

Procurados, o fundo Josephina 3 e a Oncoclínicas disseram que não vão se manifestar. A Latache não respondeu.

Parte da disputa também virou caso de polícia. A Polícia Civil de São Paulo indiciou dois executivos do Goldman Sachs por suspeita de terem participado de um esquema de manipulação de mercado no desmembramento dos fundos da Oncoclínicas.

A investigação apura se o Goldman escondeu, em prospectos e demonstrações financeiras, que parte da fatia sempre atribuída ao banco pertencia à Centaurus. O banco nega quaisquer irregularidades.

Fundada em 2010, a Oncoclínicas é a maior rede oncológica privada do Brasil, com 142 unidades, 1. 700 médicos e 593 mil tratamentos anuais. Após IPO em 2021, a rede cresceu agressivamente.

Em 2024, o Banco Master, de Daniel Vorcaro, adquiriu 20,18% da companhia via fundos e passou a ser investigado no Cade por gun jumping —termo usado para operações consumadas antes da notificação e aprovação do órgão antitruste.

Em números

  • 700 médicos e 593 mil tratamentos anuais
  • Fundo pede arbitragem para evitar oferta pública de ações de mais de R$ 6 bilhões da Oncoclínicas

Fontes

Informação baseada em material público de Folha Mercado, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • Folha Mercadolink

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