Ir para o conteúdo

Corumbá - MS | Quarta-feira, 4 de novembro de 2026 | 15:25

ULTRA CONECT
Brasil

Unicef: nenhum país do G20 tem maioridade penal abaixo dos 18 anos

Brasil tem uma das menores idades de responsabilização penal do grupo e prevê que adolescentes de 12 anos possam responder por seus atos de forma proporcional

3 min de leitura
Brasil — imagem padrão

A maioridade penal é a idade em que a pessoa começa a ser julgada como adulto, podendo ser condenada a cumprir penas no sistema prisional comum.

  • Reino Unido, Estados Unidos e Austrália: 10 a 12 anos.
  • Brasil, África do Sul, Canadá, Indonésia, México e Turquia: 12 anos.
  • Alemanha, Argentina, Coreia do Sul, Itália, Japão e Rússia: 14 anos.
  • Brasil, Costa Rica, El Salvador, Equador, Honduras, México e Panamá: 12 anos.
  • Guatemala, Haiti, República Dominicana e Uruguai: 13 anos.
  • Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Paraguai, Peru e Venezuela: 14 anos.

O G20 é formado pelos 19 países com o maior produto interno bruto (PIB) do mundo, além de dois blocos regionais: a União Europeia e a União Africana.

Segundo o representante do Unicef no Brasil, Joaquin Gonzalez-Aleman, o G20 concentra os países mais ricos do mundo e 60% da população mundial. E esses países “concordam que é possível responsabilizar um adolescente sem tratá-lo como adulto”.

O levantamento também analisou as idades mínimas de responsabilização criminal, quando um adolescente já pode responder na Justiça, mas em um sistema específico para sua faixa etária.

Idade mínima para responsabilização no G20.

Idade mínima para responsabilização na América Latina.

De acordo com Gonzalez-Aleman, o Unicef defende que responsabilizar adolescentes que cometem atos infracionais é necessário. Mas para isso, não é preciso tratá-los como adultos.

Apesar de nenhum país do G20 prever que menores de 18 anos sejam julgados como adultos de forma geral, algumas nações do grupo estabelecem exceções, como Estados Unidos, Arábia Saudita, Índia, Canadá, Reino Unido, Japão e Coreia do Sul.

Já entre os 20 países analisados na América Latina, apenas Cuba tem exceções para a maioridade penal aos 18 anos.

O Unicef não descreve as exceções mas nos Estados Unidos, por exemplo, alguns tipos de agravantes no crime podem fazer com que as varas da infância remetam os casos para juizados criminais, como o uso de violência, de arma ou a existência de antecedentes criminais.

O debate sobre a redução da maioridade penal voltou ao Congresso nesta semana, durante a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública.

O texto foi aprovado no Senado Federal sem as emendas que buscavam equiparar os adolescentes aos adultos.

A PEC é uma das prioridades do atual governo para a área da segurança, mas os senadores discutiram a inclusão de emendas de plenário que tratavam da redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, ou até mesmo para 14 anos.

O relator da PEC, senador Rogério Carvalho (PT-SE), não acolheu as emendas no relatório final, mas recomendou que elas constituíssem propostas autônomas que pudessem tramitar em conjunto e serem votadas posteriormente em separado.

Comentários

Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.

Carregando comentários…

Leia também

Mais em Brasil