PM preso com 100 kg de cocaína exibia jet skis, barcos de luxo e dinheiro jogado para o alto.
De acordo com as investigações, apesar de esbanjar charutos, dinheiro, iates e passeios de jet ski, Yuri relatava dificuldades financeiras e pedia dinheiro a um homem apontado pela polícia como um dos principais líderes do Comando Vermelho (CV) no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio.
A análise do conteúdo do celular do policial foi um dos elementos que levaram à operação realizada nesta terça-feira (13), que investiga a participação de agentes públicos em atividades da facção criminosa.
A ação foi coordenada pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) e contou com a participação do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), e da Corregedoria da Polícia Militar.
Em outubro de 2023, Yuri foi preso em flagrante dentro de um caminhão que transportava mais de 150 quilos de cocaína, na Avenida Brasil, na altura do Complexo da Maré.
Segundo a investigação, foi a partir desse flagrante que a polícia reuniu informações que embasaram a operação desta terça.
Yuri foi executado em 12 de julho deste ano, no Pechincha, em Jacarepaguá, na Zona Sudoeste do Rio, atingido por diversos tiros quando chegava ao condomínio onde morava.
Mensagens mostram pedidos de dinheiro.
Em outubro de 2024, Yuri enviou uma mensagem a um contato que chamava de “chefe”.
Dias depois, em 24 de outubro de 2024, voltou a pedir dinheiro.
Segundo a polícia, o homem a quem Yuri recorria era Manoel Cinquine Pereira, conhecido como Paulista, apontado pelos investigadores como um dos principais líderes do Comando Vermelho no estado, com forte atuação no Complexo da Penha.
Paulista também foi alvo da operação desta terça-feira, mas continuava foragido até a última atualização das informações fornecidas pela polícia.
De acordo com os investigadores, ele atua na compra de armas e drogas e coordena incursões armadas em áreas dominadas por milícias e facções rivais.
Atuação no transporte de drogas e negociação de armas.
A investigação também identificou conversas entre Yuri e outros integrantes do Comando Vermelho. Segundo a polícia, as trocas de mensagens incluíam alertas sobre operações da Polícia Militar.
Ao analisar os dados telefônicos de Paulista, os investigadores encontraram vídeos que, segundo eles, mostram o traficante testando um fuzil. Também foram localizadas imagens de grandes quantidades de drogas sendo preparadas e embaladas, além de fotografias de artigos de luxo.
A operação desta terça-feira teve sete mandados de prisão. Além dos alvos ligados à investigação sobre Yuri, a Polícia Civil procura o cabo da PM Erick da Silva Lobato, que também trabalha no batalhão de São João de Meriti.
Segundo os investigadores, em uma troca de mensagens, Lobato enviou fotografias de carregadores de armas e ofereceu munição a Yuri. Os agentes estiveram no batalhão e na casa do cabo, mas não o encontraram.
Na operação, os policiais também prenderam em Maricá Leonardo Aguiar da Silva, conhecido como Nike. De acordo com a investigação, ele era responsável pela segurança de territórios do Comando Vermelho na Baixada Fluminense.
Yuri foi morto a tiros em julho deste ano, quando chegava em casa, no Pechincha, na Zona Oeste do Rio. Ele foi atingido por pelo menos 23 disparos.
O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios. A principal suspeita, segundo as informações da investigação, é que o policial tenha sido assassinado pelo próprio Comando Vermelho.
A polícia também encontrou no celular do sargento um vídeo gravado durante um baile funk em uma comunidade dominada pela facção. No áudio, uma voz diz: “Quem não gosta de polícia levanta a mão”.
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