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Economia

Polícia caça hackers que invadiram sistema de refrigeração de supermercados na França

Especialistas apontam para firmware antigo como uma das brechas; ausência de resgate intriga investigadores

4 min de leitura
Economia — imagem padrão

Paris | Reuters Investigadores franceses buscam nesta terça-feira (13) os hackers que assumiram o controle das unidades de refrigeração de centenas de supermercados no país, em um ataque que destacou as vulnerabilidades de sistemas conectados.

Funcionários de supermercados de Paris jogaram caixas cheias de carne estragada e produtos congelados em contêineres gigantes de lixo nesta terça. O ataque afetou pelo menos 350 supermercados, uma pequena fração do número total na França.

Contêineres cheios de alimentos estragados por causa de ataque hacker que atingiu sistema refrigeração de supermercados - Lucien Libert/Reuters A investigação ocorre no momento em que a rede holandesa Ahold Delhaize enfrenta um incidente separado de segurança digital que interrompeu seus serviços online.

As autoridades holandesas afirmam não ver nenhuma conexão entre os dois eventos.

A ausência de uma reivindicação de responsabilidade ou de um pedido de resgate intrigou os investigadores, segundo uma fonte com conhecimento da investigação. Normalmente, grupos de hackers buscam rapidamente monetizar seus ataques ou reivindicar a autoria deles para fins políticos.

O ataque, que alterou manualmente as temperaturas das geladeiras em redes de supermercados como Carrefour, Monoprix, Intermarché e Coopérative U, parece ter sido fácil de executar, disseram três especialistas em segurança digital à Reuters.

A agência de segurança eletrônica da França afirmou que a violação afetou refrigeradores que utilizavam software da empresa dinamarquesa Danfoss, bem como programas das empresas Copeland e Dixell.

Na segunda-feira (12), a Danfoss informou que muitas das unidades afetadas haviam "chegado ao fim da vida útil e não recebiam mais atualizações de software ou de segurança" ou estavam "operando com firmware desatualizado.

A empresa afirmou ter "recomendado aos clientes que mantenham os sistemas compatíveis atualizados com o firmware mais recente e que migrem os sistemas legados para soluções da geração atual.

A empresa se recusou a fazer mais comentários. Um porta-voz da Copeland, proprietária da Dixell, se recusou a confirmar a informação e afirmou que a principal prioridade da empresa é proteger as operações dos clientes.

No caso da Danfoss, as graves vulnerabilidades presentes nas versões mais antigas de seu firmware já eram conhecidas há meses.

Em 9 de agosto, a empresa de segurança Claroty detalhou falhas, já corrigidas, no controlador Danfoss AK-SM 800A que poderiam ter permitido que invasores contornassem a autenticação e executassem ordens em dispositivos comprometidos.

Embora o mecanismo exato pelo qual os invasores comprometeram os refrigeradores não tenha sido divulgado publicamente, especialistas em segurança afirmaram que todos os indícios apontam para uma manobra básica possibilitada tanto pela falha em adotar as atualizações da Danfoss quanto pela exposição das interfaces dos dispositivos à internet.

Trata-se de higiene cibernética básica", disse Ken Munro, sócio da empresa britânica de segurança Pen Test Partners.

Ele disse que as vulnerabilidades bem conhecidas significam que os invasores estavam basicamente empurrando uma porta aberta, o que indica que o ataque poderia facilmente ter sido realizado por "crianças brincando.

Se fosse um Estado-nação, por que afetar apenas um subconjunto de geladeiras francesas? Há muitos outros países com geladeiras conectadas à internet", acrescentou.

A ausência de pedido de resgate ou exigência sugere uma falta de compreensão das possíveis perdas comerciais que os donos das geladeiras podem sofrer.

Muitas geladeiras continuam acessíveis pela internet. Usando o serviço de varredura na internet Shodan, a Reuters descobriu que pelo menos 4. 500 interfaces da Danfoss ainda estavam visíveis nesta terça.

A Reuters não conseguiu determinar de forma independente quantos deles estavam executando um software vulnerável, mas a empresa francesa Onyphe afirmou que apenas uma minoria dos dispositivos parecia estar executando a versão mais recente de software.

Versões desatualizadas e vulneráveis estão "ainda amplamente presentes entre as interfaces acessíveis ao público", afirmou a Onyphe.

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