O Viva Maria se antecipa à celebração dos oito anos da passagem de Dona Raimunda Gomes da Silva, a Dona Raimunda Quebradeira de Coco, uma das maiores lideranças extrativistas do país.
Na edição desta sexta-feira (6), Mara Régia revisita os arquivos do programa para recordar a trajetória e a voz dessa mulher que fez da luta pelo babaçu livre uma bandeira em defesa dos direitos das trabalhadoras rurais e da preservação ambiental.
Dona Raimunda morreu em 7 de novembro de 2018, aos 78 anos, em sua casa, no assentamento Sete Barracas, em São Miguel do Tocantins, na região do Bico do Papagaio.
Vítima de complicações decorrentes da diabetes, deixou um legado que permanece vivo entre as quebradeiras de coco babaçu. Desde 2019, o Tocantins celebra, em 7 de novembro, o Dia Estadual da Quebradeira de Coco Babaçu.
A edição recupera depoimentos que revelam a atuação de Dona Raimunda. Da defesa do acesso livre aos babaçuais à denúncia dos efeitos dos agrotóxicos sobre as palmeiras, o solo e a água, sua voz se tornou instrumento de mobilização em defesa do meio ambiente e dos direitos das mulheres do campo.
Mara Régia também recorda a participação de Dona Raimunda na Conferência Mundial sobre a Mulher, realizada em Pequim, na China, em 1995, quando a quebradeira de coco levou sua luta e seu canto para o cenário internacional.
Uma das lembranças é a interpretação do Xote das Quebradeiras, música que se tornou símbolo da resistência e da identidade dessas trabalhadoras.
O programa recupera ainda uma entrevista do arquivo do Amazônia Mulher, atração que Mara Régia apresentava nas tardes de sábado pela Rádio Nacional da Amazônia.
Na conversa, Dona Raimunda aborda um tema frequentemente silenciado: o prazer sexual feminino. Com a franqueza que marcou sua trajetória, ela denuncia a falta de atenção dos companheiros ao prazer das mulheres e defende a necessidade de uma mudança na formação dos homens.
A homenagem inclui também um depoimento emocionante sobre a morte da mãe de Dona Raimunda. Ao contar como encontrou forças para enfrentar o luto, ela compartilha a importância da fé e da oração.
Em outro momento, ao falar sobre a possibilidade de reencarnar, afirma que gostaria de voltar a ser mulher, mantendo o mesmo pensamento e a mesma disposição para a vida.
Fundadora do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), Dona Raimunda teve sua atuação reconhecida nacionalmente. Em 2005, integrou a iniciativa das mil mulheres indicadas coletivamente ao Prêmio Nobel da Paz, em reconhecimento à atuação de mulheres de diferentes países na construção da paz.
Mais do que recordar uma trajetória, o Viva Maria celebra a permanência de uma voz que ajudou a transformar a realidade das mulheres extrativistas. Uma mulher que enfrentou o coco, a roça e as dificuldades da luta coletiva, fazendo de sua própria história uma bandeira em defesa da dignidade, da autonomia feminina e da floresta.
O Viva Maria é apresentado por Mara Régia e pode ser acompanhado pelas emissoras da EBC e pela Radioagência Nacional.
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