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Tecnologia Revisado por ULTRA AI

EUA dão ultimato a países na corrida da IA: escolher Washington ou Pequim

Os EUA estão se preparando para pressionar dezenas de países a escolher entre Washington e Pequim na disputa pelo domínio da IA

5 min de leitura
EUA dão ultimato a países na corrida da IA: escolher Washington ou Pequim

Os Estados Unidos estão se preparando para pressionar dezenas de países a escolher entre Washington e Pequim na disputa pelo domínio da inteligência artificial (IA).

Países que participarem simultaneamente de iniciativas de cooperação em IA lideradas pelos dois países poderão ser excluídos de futuras parcerias com os estadunidenses, segundo um funcionário do governo dos EUA e uma minuta interna analisada pela Reuters.

Washington lançou no ano passado a iniciativa Pax Silica, criada para fortalecer cadeias de suprimentos relacionadas a modelos de IA, semicondutores e minerais críticos, em meio à crescente rivalidade tecnológica com a China.

Cerca de duas dezenas de países já aderiram à iniciativa. Entre eles está o Cazaquistão, considerado possível fonte importante de minerais críticos e que também passou a integrar uma coalizão de IA liderada pela China.

Japão, Austrália e Coreia do Sul, aliados próximos dos Estados Unidos, também fazem parte da Pax Silica.

A minuta de uma carta preparada pelo Departamento de Estado estadunidense é destinada aos 35 países que assinaram, em junho, uma declaração sobre oportunidades em IA dos EUA.

O grupo inclui integrantes da estrutura não vinculante da Pax Silica e outros países que demonstraram interesse em alinhar sua cooperação em IA com Washington.

Ao pressionar esses países a escolher um lado, os Estados Unidos esperam dificultar o acesso da China a recursos necessários para a corrida pelo desenvolvimento de sistemas de IA cada vez mais sofisticados, que podem ter aplicações tanto militares quanto econômicas.

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Em julho, o presidente chinês, Xi Jinping, lançou uma iniciativa rival, a Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial, promovendo a tecnologia chinesa de código aberto como alternativa à influência estadunidense no setor.

O Cazaquistão é, até o momento, o único país conhecido por integrar simultaneamente as duas iniciativas. A situação acendeu um alerta em Washington.

A minuta preparada pelo Departamento de Estado afirma que participar da Pax Silica representa mais do que simplesmente aderir a um grupo internacional.

O documento também orienta os países a “escolher deliberadamente” seu posicionamento na área de IA.

A minuta não cita especificamente a China, mas a referência a iniciativas concorrentes ocorre no contexto da nova coalizão de IA criada por Pequim.

A Reuters não conseguiu determinar quando os EUA pretendem enviar a carta nem se o documento poderá sofrer alterações antes de ser encaminhado aos países. A minuta não tem data.

O Departamento de Estado afirmou à Reuters que não comentaria “supostos documentos internos vazados”.

A embaixada da China em Washington afirmou que o país se opõe à politização de questões comerciais e tecnológicas. “Essas ações apenas sufocarão os avanços globais em IA e não servirão aos interesses de ninguém”, disse um porta-voz da embaixada.

A embaixada do Cazaquistão em Washington não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

O acordo da Pax Silica busca aproximar aliados e parceiros dos Estados Unidos em projetos conjuntos e controles de exportação. O objetivo final é reduzir a dependência de países considerados adversários para obter minerais críticos, modelos de IA e os semicondutores utilizados para alimentá-los.

A iniciativa faz parte de uma disputa tecnológica cada vez mais intensa entre Estados Unidos e China pelo domínio da IA.

A competição chegou a um momento decisivo à medida que modelos chineses de IA com pesos abertos avançaram rapidamente e passaram a reduzir a distância em relação a sistemas proprietários desenvolvidos por empresas estadunidenses, como OpenAI e Anthropic.

Os modelos de pesos abertos permitem que componentes fundamentais dos sistemas sejam disponibilizados publicamente, possibilitando maior acesso e adaptação por usuários e desenvolvedores.

Ao mesmo tempo, o crescimento acelerado das capacidades da IA — incluindo a possibilidade de sistemas realizarem ataques cibernéticos de maneira autônoma — aumentou a preocupação mundial sobre o poder e os riscos da tecnologia.

A criação da Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial por Xi Jinping representa uma tentativa de Pequim de ampliar sua influência sobre o desenvolvimento global da tecnologia.

Ao promover modelos chineses de pesos abertos, a China procura apresentar uma alternativa à abordagem dos Estados Unidos e fortalecer sua posição em setor considerado estratégico para a economia e a segurança nacional.

Para Washington, porém, permitir que países participem simultaneamente de estruturas lideradas pelos dois países pode comprometer os objetivos da Pax Silica.

A estratégia estadunidense, portanto, pretende transformar a cooperação em IA em um novo eixo da disputa geopolítica entre as duas maiores potências tecnológicas do mundo, pressionando aliados e parceiros a definir com qual lado desejam aprofundar sua relação no setor.

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

Fontes

Informação baseada em material público de Olhar Digital, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • Olhar Digitallink

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