Esta semana, acontece um dos eclipses solares mais importantes da década, conforme noticiado pelo Olhar Digital (descubra aqui os motivos). Mais de 15 milhões de pessoas estarão na faixa de totalidade, enquanto cerca de 980 milhões poderão observar o fenômeno de forma parcial.
Um eclipse solar total, no entanto, não é apenas um espetáculo impressionante de se assistir. Durante os poucos minutos em que a Lua encobre completamente o Sol, os cientistas conseguem observar detalhes da atmosfera da estrela que normalmente ficam escondidos pelo seu brilho intenso.
Nesta quarta-feira (12), equipes financiadas pela NASA vão aproveitar a oportunidade para estudar a coroa solar e investigar como a redução repentina da luz do Sol afeta a atmosfera da Terra.
Uma das pesquisas será feita a bordo de um avião WB-57 da agência, que acompanhará a sombra da Lua em alta altitude. O objetivo é prolongar o período de observação da coroa solar e registrar mudanças que podem passar despercebidas durante os poucos minutos de totalidade vistos do solo.
O avião levará quatro câmeras capazes de produzir imagens em alta resolução em diferentes comprimentos de onda da luz visível e infravermelha. O sistema poderá registrar pelo menos 20 imagens por segundo, permitindo acompanhar estruturas, fluxos de material e alterações rápidas na atmosfera externa do Sol.
Os pesquisadores querem entender melhor como se formam as proeminências solares, estruturas compostas por material que permanece suspenso acima da superfície da estrela.
Também pretendem investigar por que a coroa solar alcança temperaturas próximas de 1 milhão de graus e qual é a relação entre essa região e o vento solar, fluxo de partículas que se espalha pelo Sistema Solar.
A aeronave voará a cerca de 15,2 km de altitude, acima das nuvens que poderiam atrapalhar as observações. Essa posição também permitirá detectar alguns comprimentos de onda infravermelhos que são absorvidos pela atmosfera terrestre antes de chegar ao solo.
O mesmo equipamento foi utilizado no eclipse solar total de abril de 2024. Desde então, a equipe fez ajustes nas câmeras e desenvolveu ferramentas para acelerar o processamento e a análise dos dados.
Balões vão investigar os efeitos na atmosfera.
Enquanto o avião estará voltado para o Sol, outra equipe vai observar o que acontece mais perto da superfície terrestre. Na Islândia, o Projeto Nacional de Balonismo para Observação de Eclipses lançará 80 balões científicos antes, durante e depois da passagem da sombra da Lua.
Os equipamentos serão usados para estudar a chamada camada limite atmosférica, região mais baixa da atmosfera, diretamente influenciada pelas condições da superfície.
Sua espessura varia de acordo com fatores como temperatura e umidade.
Experimentos realizados durante eclipses em 2023 e 2024 mostraram que essa camada diminuiu de espessura em locais com céu aberto, mas não apresentou o mesmo comportamento em áreas nubladas.
Agora, os cientistas querem descobrir se o resultado se repetirá na Islândia.
A época do ano também pode influenciar a resposta da atmosfera. Como o eclipse ocorrerá em agosto, quando os dias islandeses são longos e as noites curtas, os pesquisadores esperam verificar se essa característica interfere nas mudanças observadas.
Na Espanha, três equipes lançarão outros seis balões, equipados com câmeras de 360 graus para registrar a passagem da sombra sobre a superfície. Eles também carregarão sensores para medir os níveis de ozônio na atmosfera.
O ozônio depende da luz solar para sua formação e, por isso, pode sofrer alterações durante a totalidade. Em experimentos realizados no eclipse de abril de 2024, os pesquisadores observaram uma redução nos níveis do gás.
A nova campanha permitirá verificar se esse efeito se repete em condições diferentes. Como o eclipse de 2026 ocorrerá em outro horário e em uma estação do ano distinta, os dados poderão ajudar a esclarecer como fatores ambientais influenciam a resposta da atmosfera durante um eclipse solar total.
Flávia Correia é jornalista do Olhar Digital, cobrindo Ciência e Espaço.
Alessandro Di Lorenzo é editor do Olhar Digital e formado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Em números
- Mais de 15 milhões de pessoas estarão na faixa de totalidade, enquan
- To cerca de 980 milhões poderão observar o fenômeno de forma parcial
- A aeronave voará a cerca de 15,2 km de altitude, acima das nuvens que poderiam atrapa
Fontes
Informação baseada em material público de Olhar Digital, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.