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Tecnologia

Do roubo à revenda: investigação revela caminho percorrido por celulares furtados e roubados

Operação em São Paulo expõe cadeia que incluía receptação, adulteração de aparelhos e comercialização com aparência de legalidade.

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Do roubo à revenda: investigação revela caminho percorrido por celulares furtados e roubados

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Mais de 830 mil celulares foram roubados ou furtados no Brasil em um ano, uma média de um aparelho levado a cada 38 segundos. Na maior cidade do país, apenas 6% dos telefones são recuperados.

Uma investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pelas polícias Civil e Militar de São Paulo buscou responder à pergunta que costuma atormentar as vítimas: para onde vão os aparelhos que desaparecem após o crime.

A apuração identificou uma estrutura organizada que atuava em várias etapas, desde a receptação dos celulares até a adulteração dos aparelhos e a revenda ao consumidor final.

A investigação aponta que o roubo e o furto representam apenas a primeira fase de uma cadeia logística e econômica sustentada pela receptação e comercialização dos celulares.

Testemunhas ouvidas pelos investigadores relataram que muitos aparelhos já tinham destino definido antes mesmo de serem levados das vítimas.

De acordo com os investigadores, a Rua Guaianases, na região central de São Paulo, funcionava como um dos principais pontos de recepção dos aparelhos roubados. Foi nesse local que os celulares passavam a ser concentrados logo após os crimes.

Promotores afirmam que era nessa etapa que começavam as tentativas de acesso a aplicativos bancários e outras informações armazenadas nos aparelhos das vítimas.

Diversos boletins de ocorrência e registros de geolocalização analisados ao longo da investigação apontavam o mesmo endereço como última localização conhecida dos celulares.

Após a receptação, os aparelhos eram encaminhados para núcleos especializados. Segundo o Ministério Público, esses grupos utilizavam ferramentas técnicas para alterar o IMEI, número único que identifica cada celular.

A adulteração permitia que celulares roubados passassem a aparentar situação regular. De acordo com os investigadores, os criminosos substituíam o IMEI de aparelhos com restrições por identificações de telefones inativos, dificultando a detecção da fraude.

Com os aparelhos adulterados ou desmontados para venda de peças, começava a fase final da engrenagem: a comercialização. O objetivo era fazer com que o produto retornasse ao mercado aparentando origem legal.

Segundo o Ministério Público, o esquema também utilizava notas fiscais fraudulentas para dar aparência de legalidade aos celulares. Durante a investigação, interceptações obtidas pelos promotores mostraram conversas sobre a emissão desses documentos com informações específicas dos aparelhos.

Na operação realizada neste mês, 15 suspeitos foram presos. Cerca de 10 mil itens, entre celulares, peças e acessórios, foram apreendidos. O material foi reunido em um prédio da Polícia Civil, enquanto peritos estimaram que o conjunto recolhido pesava aproximadamente 60 toneladas.

Os investigadores afirmam que o objetivo agora é identificar vítimas, responsabilizar os envolvidos e tentar devolver os aparelhos recuperados aos proprietários.

Após a receptação, os celulares seguiam para núcleos especializados responsáveis por modificar o IMEI, número de identificação único de cada aparelho. Segundo o Ministério Público, esse processo exigia conhecimento técnico e uso de ferramentas específicas.

Os investigadores afirmam que os criminosos exploravam uma falha na integração de informações entre fabricantes, operadoras, lojas e órgãos públicos. O esquema consistia em substituir o IMEI de aparelhos roubados pelos números de celulares inativos, dificultando a identificação da fraude pelos sistemas de controle.

Essa etapa era executada por integrantes conhecidos como "icloudeiros". Um dos suspeitos apontados como responsável por esse trabalho foi preso durante a operação.

Em números

  • Mais de 830 mil celulares foram roubados ou furtados no Brasil em
  • Cerca de 10 mil itens, entre celulares, peças e acessórios, foram
  • Polícia Civil, enquanto peritos estimaram que o conjunto recolhido pesava aproximadamente 60 toneladas

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