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Discord suspende lives no Brasil após determinação da ANPD

Discord disse que suspendeu no Brasil as funcionalidades de transmissão ao vivo e outros recursos de compartilhamento de vídeo em tempo real

5 min de leitura
Tecnologia — imagem padrão

O Discord informou nesta segunda-feira (17) que suspendeu no Brasil as funcionalidades de transmissão ao vivo e outros recursos de compartilhamento de vídeo em tempo real.

A medida atende a uma determinação da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que deu à empresa um prazo de três dias úteis para interromper as transmissões.

A decisão da agência foi tomada na última quarta-feira (12), como medida preventiva, e tem como um dos fundamentos o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Digital.

Segundo a ANPD, a plataforma apresenta falhas na proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.

Em comunicado divulgado nesta segunda, o Discord afirmou que as funcionalidades de vídeo são parte importante da experiência oferecida pela plataforma e disse que continuará negociando com o governo brasileiro para tentar restabelecer o serviço.

A empresa ressaltou que a determinação da ANPD se restringe às funcionalidades de comunicação por vídeo em tempo real e ao compartilhamento de tela. O restante da plataforma continua disponível normalmente no país.

Segundo o Discord, os recursos de mensagens de texto e áudio permanecem funcionando em conversas privadas, grupos e servidores. A companhia também afirmou que mantém equipes especializadas responsáveis por identificar e remover conteúdos e usuários que violem suas regras.

A discussão sobre a segurança de crianças e adolescentes no ambiente digital ganhou força nas últimas semanas após a primeira-dama Janja da Silva afirmar que o Discord deveria ser retirado do ar “imediatamente”.

A declaração ocorreu durante um evento sobre violência contra crianças e adolescentes e fazia referência ao caso de uma menina de 13 anos que tirou a própria vida durante transmissões em grupos da plataforma.

Na ocasião, o Discord classificou como “prematura” a decisão da ANPD e afirmou que a caracterização feita pela agência “não reflete a plataforma que construímos nem os investimentos que temos feito na segurança dos usuários”.

Apesar da contestação, a empresa reconheceu que seu sistema de proteção falhou no caso da adolescente e demorou cerca de duas horas para derrubar a transmissão.

De acordo com o Discord, a primeira comunicação sobre risco iminente de morte ou lesão corporal grave ocorreu às 3h50. O servidor foi retirado do ar às 4h15.

A suspensão das transmissões será mantida até que o Discord comprove a adoção de medidas consideradas eficientes para proteger menores de idade.

A ação ocorreu após a ANPD instaurar, em 7 de agosto, um processo de fiscalização para apurar falhas na proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital da plataforma.

Segundo a agência, o Discord vem sendo utilizado de forma recorrente como ambiente para violações contra menores. As transmissões ao vivo, especificamente, teriam sido empregadas em práticas envolvendo violência, assédio, indução à automutilação e ao suicídio.

Antes da suspensão, o Discord havia apresentado uma proposta para reforçar a proteção dos usuários, especialmente de crianças e adolescentes. O documento foi entregue à Advocacia-Geral da União (AGU) em 10 de agosto, após reuniões entre representantes da empresa, do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), da AGU e da ANPD.

Na sexta-feira (14), a plataforma enviou à ANPD os esclarecimentos solicitados pela agência depois da determinação de suspensão das transmissões. No documento, o Discord afirmou atuar continuamente para tornar o ambiente digital mais seguro e saudável e rejeitou qualquer prática de violência, automutilação ou incitação a atos lesivos.

A empresa também apresentou um ofício solicitando que a ANPD revogasse a determinação de suspensão das lives. No pedido de reconsideração, o Discord afirmou que não conseguiria cumprir o prazo de três dias úteis estabelecido pela agência para interromper as transmissões.

Apesar do pedido, a suspensão foi efetivada nesta segunda.

A decisão da ANPD tem, entre seus fundamentos, o ECA Digital. Segundo a agência, o Discord teria descumprido regras estabelecidas pela legislação para proteger crianças e adolescentes no ambiente virtual.

O ECA Digital não se aplica apenas a plataformas criadas especificamente para menores de idade. A legislação também alcança serviços digitais que tenham acesso provável por crianças e adolescentes.

Entre as obrigações estabelecidas pela lei estão medidas para prevenir violência, abuso sexual, assédio, automutilação, suicídio, uso de drogas, jogos de azar, pornografia e outros riscos.

As plataformas também devem adequar conteúdos à faixa etária dos usuários, impedir o acesso a materiais ilegais ou impróprios e utilizar mecanismos confiáveis de verificação de idade.

A legislação ainda determina a proteção dos dados pessoais de crianças e adolescentes, impedindo que essas informações sejam utilizadas de maneira que viole seus direitos.

As empresas também devem oferecer ferramentas de supervisão parental e adotar medidas para prevenir o uso compulsivo das plataformas.

O descumprimento das regras previstas no ECA Digital pode resultar em sanções.

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

Fontes

Informação baseada em material público de Olhar Digital, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • Olhar Digitallink

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