Os multimercados macro montam suas posições a partir de leituras de cenário econômico, apostando na direção de juros, câmbio e bolsa, e por isso costumam funcionar como termômetro do apetite dos gestores profissionais por ativos locais.
A métrica que acompanha o chamado Kit Brasil em janela de 45 dias úteis chegou a um desvio padrão abaixo da média, tomando como referência o desvio padrão do modelo de 90 dias úteis, e todas as janelas acompanhadas recuaram na margem.
O Kit Brasil é uma estimativa estatística elaborada pelo time de pesquisa macro da XP, que roda regressões que comparam o retorno diário dos fundos com o comportamento de Ibovespa, dólar e índices de renda fixa, e a partir daí deduz o quanto os gestores estão apostando na valorização dos ativos locais.
Quanto maior o indicador, maior a exposição estimada ao Brasil.
Pela leitura da ponta no modelo de janela mais curta, de 25 dias úteis, os fundos seguem comprados em S&P 500 e em Ibovespa, com essa exposição em queda, e vendidos em dólar contra o real, o que equivale a apostar na valorização da moeda brasileira.
No modelo de janela mais longa, de 90 dias úteis e dez variáveis explicativas, aparecem também comprados em IRF-M, o índice de títulos públicos prefixados que se beneficia da queda dos juros nominais, e vendidos em petróleo.
A XP recomenda que as duas leituras sejam interpretadas em conjunto, já que a primeira capta melhor a virada recente e a segunda é menos volátil.
Ao comentar os números da indústria no primeiro semestre, o diretor da Anbima Pedro Rudge associou o comportamento do investidor ao ambiente de aversão ao risco, influenciado pela questão fiscal e pelas eleições.
No ano até 12 de agosto, os fundos da amostra da XP acumulam alta de 5,18%, o equivalente a 61% do CDI, com ganho de 0,25% nos cinco dias úteis anteriores. Em um ambiente de Selic de dois dígitos, capturar pouco mais de 60% do juro básico significa entregar menos do que uma aplicação sem risco de mercado.
Boa parte do atraso vem de um único mês. Até 27 de fevereiro, véspera do início da guerra no Oriente Médio, o IHFA subia 3,60% contra 2,23% do CDI, mas os fundos devolveram esse ganho e o índice fechou o primeiro trimestre praticamente estável, em 0,05%, ante CDI de 3,5%.
Em março, o IHFA recuou 3,42%, na maior correção mensal desde os 6,24% registrados em março de 2020. Foi também o mês em que os multimercados macro tiveram a maior queda percentual de patrimônio desde o início de 2025.
O índice encerrou o primeiro semestre com alta de 3,26%, abaixo dos 6,90% do CDI no período e dos 6,76% do Ibovespa, e também da caderneta de poupança, que rendeu 3,93%.
Vale a ressalva de que o IHFA e a amostra da XP não são diretamente comparáveis, já que o índice da Anbima reúne multimercados de várias estratégias que cobram taxa de performance, enquanto o monitor do banco se restringe a fundos macro e pondera o retorno pelo patrimônio de cada carteira.
Em números
- Com saques de R$ 8,8 bi no ano, fundos macro cortam ainda mais aposta no
Fontes
Informação baseada em material público de InfoMoney, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.