Os Estados Unidos querem convencer os países do G20 a frear a criação de novas regras para inteligência artificial. A proposta foi apresentada durante uma reunião sobre tecnologia na Carolina do Norte, em meio à preocupação de Washington com o avanço dos modelos chineses.
Lista completa
- A reunião acontece na Carolina do Norte.
- Os EUA defendem os “Princípios da Carolina”.
- A proposta restringe novas regras a questões inéditas.
- Modelos chineses de pesos abertos estão ganhando espaço.
- A cúpula dos líderes do G20 ocorrerá em Miami, em dezembro.
- Em resposta aos EUA, China exige respeito na corrida da IA.
- Qual é o modelo aberto de IA mais popular do mundo? Não é nenhum feito nos EUA.
- EUA dão ultimato a países na corrida da IA: escolher Washington ou Pequim.
Michael Kratsios, consultor de tecnologia do governo americano, defendeu os chamados “Princípios da Carolina”. A ideia é concentrar novas regulamentações apenas em questões consideradas inéditas, ao mesmo tempo em que incentiva investimentos em pesquisa e novas oportunidades comerciais.
Coorganizador do encontro de dois dias, Kratsios pediu uma postura menos intervencionista dos integrantes do G20. Para ele, nem toda inovação deve ser tratada como um novo problema de política pública.
Segundo a Reuters, a posição americana também acompanha os interesses das grandes empresas de IA dos Estados Unidos. Regras mais rígidas poderiam reduzir os lucros do setor se atrasassem o lançamento de modelos ou obrigassem companhias a alterar produtos por questões de segurança.
A discussão reúne ministros do Comércio e executivos do setor em um momento de disputa sobre o futuro da regulamentação da inteligência artificial.
Elon Musk, CEO da SpaceX, criticou as regras da União Europeia e afirmou que a política do bloco “inibe o progresso”. Ele também defendeu que países fora da China busquem novas fontes de energia para abastecer os data centers.
Mark Zuckerberg, CEO da Meta, participará por videoconferência. Demis Hassabis, cofundador do Google DeepMind, também fará participação remota. Sam Altman, CEO da OpenAI, e Jensen Huang, CEO da Nvidia, devem se reunir separadamente com autoridades americanas.
Modelos chineses preocupam Washington.
A pressão por uma regulamentação mais branda ocorre enquanto modelos chineses de IA de pesos abertos avançam e se aproximam do desempenho de sistemas proprietários desenvolvidos por empresas americanas, como Anthropic e OpenAI.
Para Washington, a questão vai além da concorrência comercial. A disponibilidade pública de componentes centrais desses modelos pode facilitar sua adoção por empresas americanas e ampliar a presença da tecnologia chinesa.
A velocidade do avanço da IA também alimenta os debates. Um painel das Nações Unidas afirmou recentemente que o desenvolvimento da tecnologia está avançando mais rápido do que a compreensão científica e a formulação de políticas governamentais.
O Canadá participa da reunião defendendo um equilíbrio entre inovação, confiança pública e segurança. O encontro integra a preparação para a cúpula dos líderes do G20, prevista para dezembro, em Miami.
Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.