O Ministério Público (MP) de Roraima denunciou o delegado da Polícia Civil Alexandre Henrique de Matos Lima pelos crimes de denunciação caluniosa e abuso de autoridade.
Delegado da Polícia Civil é alvo de quase 50 ações por abuso de poder e ameaça.
A denúncia ocorreu após o delegado acionar a Polícia Militar com a falsa informação de que um hóspede de um hotel em Boa Vista estaria armado e o teria ameaçado.
O delegado de 50 anos é alvo de quase 50 procedimentos disciplinares e criminais e de uma ação em que o MP pede o seu afastamento por apresentar um padrão de agressividade contra mulheres e "misoginia institucionalizada.
O g1 tenta contato com a defesa de Alexandre. Também solicitou um posicionamento à Polícia Civil de Roraima.
De acordo com a nova denúncia, o caso no hotel ocorreu no dia 16 de junho deste ano. O delegado acionou a corporação e cerca de dez policiais militares foram deslocados ao estabelecimento.
O hóspede autorizou a entrada e as buscas no quarto, mas nenhuma arma, munição ou objeto ilícito foi encontrado. Uma testemunha no local também negou a suposta ameaça denunciada pelo delegado.
Segundo o MP, Alexandre utilizou a função pública para dar início à prisão da vítima sem justa causa, pois informou aos policiais que havia dado voz de prisão ao hóspede.
A promotora de Justiça Lara Von Held sustenta que o episódio do hotel não é isolado e aponta a existência de outros procedimentos que envolvem o denunciado. Analisados em conjunto, os fatos indicam um quadro estrutural e reiterado de abuso de autoridade, misoginia e utilização do cargo para intimidação.
Em uma ação anterior que também pediu o afastamento das funções, o órgão cita que alguns dos episódios envolvendo o delegado revelam uma conduta reiterada de ofensas, intimidações e uso da posição funcional especificamente contra mulheres.
Segundo o MP, a representação enumera situações sobre mulheres e cita uma agente da Polícia Civil, duas funcionárias de um condomínio e a própria esposa do delegado, que possui uma medida protetiva de urgência contra ele.
Os fatos deixam de configurar episódios avulsos e passam a compor um quadro estrutural e reiterado de abuso de autoridade, misoginia institucionalizada e utilização do cargo e do aparato policial como instrumento de intimidação", citava trecho do documento que o g1 teve acesso em julho deste ano.
Esta reportagem está em atualização*.