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Venda ilegal de animais silvestres cresce em grupos de mensagens no Rio

Traficantes usam grupos de mensagens para vender aves e macacos e fazem até promoções. Polícia Civil diz que prática facilita a identificação dos criminosos.

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Venda ilegal de animais silvestres cresce em grupos de mensagens no Rio

A venda clandestina de animais silvestres ganhou um novo espaço no Rio: grupos de aplicativos de mensagens. Neles, traficantes anunciam aves, macacos e outras espécies, enviam fotos e vídeos dos animais e chegam a oferecer descontos para fechar negócio rapidamente.

Em uma das negociações, um homem enviou um vídeo de um macaco-prego. Ao ser questionado se o animal estava acostumado com pessoas, respondeu que sim.

Em outro anúncio, um homem oferecia um filhote de mico. Ele dizia que o animal estava com ele havia mais de uma semana e que era dócil e acostumado ao contato humano.

O vendedor também anunciava o animal por um preço promocional.

Para fazer a entrega, ele afirmou que havia conseguido um amigo para transportar o animal em um carro de aplicativo.

Vender ou manter animais silvestres em casa sem autorização dos órgãos ambientais é crime no Brasil. A prática pode resultar em multa e pena de até um ano de prisão.

Segundo as autoridades ambientais, atualmente não há criadouros de macacos autorizados pelo Ibama, e primatas não estão entre as espécies que podem ser mantidas como animais domésticos no país.

A Polícia Civil investiga o comércio ilegal tanto em feiras livres quanto nas negociações feitas pela internet. Segundo a delegada Josy Lima, a exposição dos vendedores nos grupos de mensagens pode ajudar nas investigações.

A delegada afirma ainda que as investigações apontam uma relação cada vez mais frequente entre o tráfico de animais e o tráfico de drogas no estado.

Josy Lima também alerta quem compra os animais anunciados na internet.

Um macaco-prego resgatado pela polícia chegou há cerca de duas semanas ao Instituto Vida Livre, que atua no resgate e na reabilitação de animais silvestres.

O animal já havia sido domesticado e agora passa por um processo de reabilitação, com o objetivo de recuperar comportamentos naturais e, se possível, voltar à natureza.

Segundo Roched Seba, diretor do Instituto Vida Livre, a aparência de um animal “manso” pode esconder o sofrimento causado pela retirada da natureza e pelo contato excessivo com seres humanos.

O instituto abriga outros animais que foram vítimas do tráfico, como jabutis, uma iguana e diversas aves.

Além dos maus-tratos, a retirada de animais silvestres da natureza pode trazer riscos à saúde humana e provocar desequilíbrios ambientais. Sem controle e acompanhamento, animais traficados também podem transmitir doenças.

Para Roched, o caminho é preservar os animais em seu ambiente natural.

O Ibama informou que tem intensificado o combate ao tráfico de animais silvestres na internet, com ações de monitoramento e fiscalização de anúncios em grupos de mensagens.

Segundo o órgão, quando o crime é identificado, os fiscais adotam as medidas administrativas cabíveis e encaminham o caso ao Ministério Público.

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