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Só o Sobrenatural de Almeida salva o script sonhado por Fachin para Moraes

Fachin precisaria de uma força improvável para conduzir a crise exatamente como pretende e colocar outros quatro colegas sob escrutínio

3 min de leitura
Só o Sobrenatural de Almeida salva o script sonhado por Fachin para Moraes

O presidente do Supremo, Edson Fachin, acha que vive num editorial de jornal. Investigar um colega do Supremo, no entanto, vai exigir dele uma capacidade de articulação que já demonstrou não ter.

Ao contrário do antecessor, Luís Roberto Barroso, Fachin conta com a simpatia da maioria dos colegas. Mas é visto como alguém na cadeira errada, na hora errada, além de ter que lidar com sua própria incoerência.

Sob o comando e com o voto de Fachin, os ministros já decidiram salvar o ministro Dias Toffoli, que precisou apenas deixar a relatoria do caso Master quando se descobriu que recebeu dinheiro de Daniel Vorcaro.

A decisão se deu numa sala fechada e Toffoli sequer se considerou impedido. Apenas entregou o caso, que foi parar nas mãos de André Mendonça. Criou-se uma jabuticaba.

A situação de Moraes avança um passo e, não há dúvidas na Corte de que será enfrentado no plenário, não mais em reunião informal. É nesse ponto que está o maior desafio de Fachin.

Se seguir os editoriais dos jornais, o ministro colocará a conduta de Alexandre de Moraes sob julgamento dos demais colegas, o mais rápido possível, com os ministros discutindo na frente das câmeras.

É esse “o sonho” do presidente do Supremo.

Se realizá-lo, porém, será confrontado a explicar por que agiu diferente com Toffoli e a deliberar sobre outros ministros que entraram na lista, direta ou indiretamente, de Daniel Vorcaro.

Entregar a cabeça de Moraes é iniciar um castelo de cartas.

Fachin já está sendo cobrado pelo seu incômodo ser apenas com Moraes, quando outros ministros também já apareceram vinculados a Vorcaro, como Toffoli, Kassio Nunes e Luiz Fux, os dois últimos por meio dos filhos.

E, agora, o próprio André Mendonça, relator do caso Master, que recebeu o banqueiro em seu escritório particular, segundo ele mesmo, para tratar de um assunto em votação no Supremo envolvendo precatórios.

Vorcaro esperava ganhar milhões com o julgamento desse tema. Se o assunto era um julgamento do Supremo, a conversa não poderia ter ocorrido num ambiente privado e de negócios, o instituto fundado por Mendonça.

Nem tampouco, a audiência ter sido intermediada por figuras controversas como o deputado Cezinha da Madureira (PL-SP).

Dentro disso, o Supremo teria que deliberar sobre, ao menos, cinco ministros. Por enquanto.

Para Fachin conseguir seguir o script que tem Moraes como único personagem, portanto, só mesmo com a aparição do Sobrenatural de Almeida, o personagem de Nelson Rodrigues que explica acontecimentos improváveis, inesperados ou aparentemente inexplicáveis que mudavam o rumo de uma partida.

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Fontes consultadas

  • Metrópoleslink

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