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TJ-RJ manda retomar ação contra Crivella por suposta promoção pessoal com publicidade oficial

Processo questiona uso de redes sociais e outros canais da Prefeitura do Rio durante a gestão do ex-prefeito. Tribunal não analisou as acusações, mas entendeu q

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TJ-RJ manda retomar ação contra Crivella por suposta promoção pessoal com publicidade oficial

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) determinou a retomada de uma ação popular que acusa o ex-prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) e ex-integrantes de sua gestão de usar a estrutura de comunicação da Prefeitura do Rio para promover a imagem do então prefeito e de outros agentes públicos.

Em julgamento na quarta-feira (5), a 3ª Câmara de Direito Público anulou a decisão que havia extinguido o processo sem analisar as acusações e determinou que a ação volte a tramitar na primeira instância.

A decisão foi unânime e atendeu a um recurso do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ).

A ação popular foi apresentada pelo advogado Fernando Lyra Reis. Segundo ele, a gestão Crivella utilizou perfis oficiais da prefeitura em redes sociais, o Diário Oficial do Município e outros canais institucionais para divulgar conteúdos que iam além do dever de informação do poder público e promoviam pessoalmente o então prefeito e integrantes do governo.

Segundo a ação, servidores públicos, funcionários comissionados e terceirizados pagos com recursos municipais trabalhavam na produção de conteúdo para os canais oficiais da Prefeitura do Rio.

A acusação afirma que esses canais passaram a apresentar Crivella como responsável direto por obras, serviços e programas públicos, associando ações da prefeitura à imagem pessoal do então prefeito.

Entre os exemplos apresentados estão publicações em que Crivella aparece anunciando entregas de obras e reformas de praças, além de mensagens em primeira pessoa, como: "Estamos aqui recuperando os aparelhos da praça".

Segundo o autor da ação, esse tipo de comunicação levava a população a associar as políticas públicas à figura do prefeito, em vez de à administração municipal.

Outro episódio citado envolve a divulgação da "Caravana do Emprego". De acordo com a ação, uma peça produzida para um canal oficial da Secretaria Municipal de Ordem Pública foi posteriormente publicada no perfil pessoal de Crivella, sem a identificação da prefeitura e com destaque para o nome do então prefeito.

A ação também cita divulgações dos programas Ambulante Legal e Cimento Social, a entrega de cartões corporativos da Educação e uma publicação em que Crivella afirmou ter "zerado a fila do Sisreg".

Para o autor, esses conteúdos teriam sido usados para reforçar a imagem pessoal do então prefeito por meio da estrutura de comunicação do município.

Além de Crivella, outros seis ex-integrantes da gestão municipal são réus na ação.

Com o fim dos mandatos dos réus, os pedidos para a retirada das publicações perderam o objeto. A ação, no entanto, mantém pedidos de ressarcimento aos cofres públicos.

O autor pede que Crivella e outros dois ex-integrantes da gestão sejam condenados a devolver ao município um valor equivalente a 100 vezes o salário de prefeito na época, dividido proporcionalmente entre eles.

Também pede que Crivella seja condenado a ressarcir os gastos relacionados a publicações feitas na capa do Diário Oficial do Município.

A ação havia sido extinta pela 6ª Vara da Fazenda Pública da Capital sem julgamento do mérito.

Na ocasião, a Justiça entendeu que a ação popular não seria o instrumento processual adequado porque não havia um pedido expresso para anular um ato administrativo. A ação pedia, entre outras medidas, a retirada de conteúdos e o ressarcimento aos cofres públicos.

Relator do recurso, o desembargador Marcel Laguna Duque Estrada concordou com o MP.

O relator também citou entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) segundo o qual a ação popular pode ser utilizada para proteger a moralidade administrativa independentemente da demonstração imediata de prejuízo financeiro aos cofres públicos.

Com a decisão da 3ª Câmara de Direito Público, o processo retorna à primeira instância para prosseguir com a análise do caso e a produção de provas.

A decisão do TJ-RJ não analisou o mérito das acusações.

Os demais réus também contestaram as acusações e argumentaram, entre outros pontos, que não tinham responsabilidade direta pelo conteúdo divulgado nos canais oficiais da prefeitura.

Fontes

Informação baseada em material público de G1 Rio, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

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