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Segregação de resíduos nos canteiros reduz custos e impacto ambiental

Separação correta facilita reaproveitamento e retorno dos materiais para o mercado da construção civil, que gera 200 mil metros cúbicos de resíduos por ano, em

4 min de leitura
Segregação de resíduos nos canteiros reduz custos e impacto ambiental

Pedra, areia, ferro, madeira, terra, mármore, gesso e até copos descartáveis fazem parte da lista de itens descartados pela construção civil. Anualmente, o setor produz cerca de 200 mil metros cúbicos de lixo em Londrina, segundo a Kurica Ambiental, empresa responsável pela gestão de resíduos sólidos na cidade.

Mas o impacto econômico e ambiental do descarte pode ser reduzido significativamente com uma medida simples: a separação correta dentro dos canteiros, antes da destinação final.

O gerente comercial da Kurica Ambiental, André Dorrighello, explica que, quando as construtoras fazem uma boa segregação, o resíduo é direcionado para um pátio de britador, para ser triturado e transformado em produtos que podem voltar ao mercado, como pedra brita, rachão – um tipo de pedra com uma volumetria maior –, areia, pedrisco.

Para isso, precisamos de material 100% puro da construção, como tijolo, telha, mármore, granito e até asfalto. É um insumo que não vai para o aterro e, por isso, não gera um passivo ambiental", afirma.

Cada tipo de lixo possui um destino e, quando chega todo misturado, é classificado como rejeito. Isso porque alguns deles são impossíveis de serem separados, como entulho limpo e gesso.

Em geral, de acordo com a Kurica, as incorporadoras encontram dificuldades na separação dos detritos nas obras, por se tratar de itens pesados e exigir várias caçambas para a destinação de cada tipo de resíduo, ou mesmo pessoas focadas no trabalho da triagem correta.

Em Londrina, uma construtora encontrou um caminho possível para fazer a separação nos canteiros. Por meio de um programa interno, a Vectra tem desenvolvido um trabalho de conscientização e mudança de cultura com colaboradores e terceiros sobre a importância do descarte correto de cada material dentro de suas obras, uma prática alinhada com um dos pilares da qualidade, que é o 5S, uma ferramenta de gestão aplicada para manter os canteiros limpos e organizados.

Para isso, a incorporadora passou a disponibilizar algumas bags identificadas. Assim, fica mais fácil para o trabalhador dar a destinação adequada e não misturar materiais impossíveis de serem separados.

A implantação contou com treinamentos sobre a importância da responsabilidade ambiental e do cumprimento das normas de sustentabilidade nos canteiros.

A engenheira civil e assistente de processos da Governança Corporativa da Vectra, Milena Bossone, conta que a comunicação visual é importante para chamar a atenção, mas não adianta apenas dizer “jogue na bag correta”.

É preciso um esforço de conscientização e uma mudança real de cultura. Por isso, a cada três meses, é realizado um bate-papo com o pessoal das obras, reforçando a importância da segregação na origem e como fazê-la adequadamente.

Segundo ela, o programa, criado há cerca de um ano, passou a integrar as auditorias em 5S, realizadas nas obras a cada 15 dias. "As auditoras observam se a bag separada com a identificação de rejeito contém, de fato, apenas material não reciclável, ou se há ali itens que poderiam ser reciclados.

Isso gera uma nota para a obra", informa. Para entender o processo de separação, ela conta que a empresa fez uma visita técnica à sede da Kurica Ambiental e de lá trouxe informações para repassar às suas equipes de trabalho.

A limpeza nos canteiros gera mais segurança e organização para a obra e para quem trabalha nela. O ambiente limpo e livre de resíduos, segundo a engenheira, facilita a atuação dos encarregados, que conseguem visualizar melhor as atividades que foram executadas, e ajuda a manter as saídas livres, em caso de necessidade de uma evacuação de emergência.

Na avaliação da Kurica Ambiental, o sistema de segregação implantado pela construtora londrinense já tem trazido resultados positivos. André Dorrighello pontua que parte dos materiais é trazida por caminhões basculantes e, antes da separação por bags, o conteúdo vinha solto na caçamba e se misturava, condenando toda a carga.

Agora, o caminhão traz os rejeitos e as bags com recicláveis, o que torna a separação mais prática. “A construtora consegue otimizar o transporte e nós fazemos o lançamento proporcional por aqui.

Já estamos sentindo os bons resultados do programa”, analisa.

Em números

  • Anualmente, o setor produz cerca de 200 mil metros cúbicos de lixo em Londrina, segundo a Kur

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Fontes consultadas

  • G1 Paranálink

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