O relatório da Polícia Federal (PF) que apontou possível favorecimento de ex-agentes do governo do estado à Refit, a Refinaria de Manguinhos, também revelou suspeitas de lavagem de dinheiro.
- Esquema ligado à Refit custeou caviar, mansão na Serra e cobertura para Cláudio Castro, diz PF.
- Aqui você tem um amigo' e 'eu toco por aqui': mensagens revelam relação de Castro com dono da Refit.
- Atropela o Ibama’: PF aponta atuação de cúpula ambiental do RJ para favorecer Refit.
- Cláudio Castro é alvo de buscas da PF na Operação Sem Refino 2, sobre fraude em licenças ambientais da Refit.
- Vou ter que ligar pra te explicar. Não posso gravar, nem escrever." A mensagem aparece ao lado de emojis piscando o olho.
Segundo sites especializados, a embarcação tem três suítes, cozinha, e amplo espaço pra entretenimento.
A suspeita dos investigadores é que a embarcação fosse usada para lavar dinheiro. Um relatório de inteligência da PF obtido pelo RJ2 mostra uma conversa entre Rossi e Bussiere sobre gastos da lancha.
Rossi afirma que os valores deveriam ser apresentados para "a turma", para verificar quanto caberia para "cada um.
A PF suspeita que a embarcação era utilizada ou financiada coletivamente por Rossi e Bussiere e possivelmente outras pessoas do círculo de relacionamento deles.
Os dois são investigados pelo que a polícia chama de atropelo de normas legais e regulamentares para atendimento dos interesses da Refit, a maior devedora de impostos do país.
Eles também são investigados por suspeitas de favorecimento à Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda. Segundo a PF, os dois teriam atuado para defender os interesses da empresa e seu passivo ambiental.
A investigação cita, inclusive, a atuação dos ex-gestores em 2024, durante a chamada "crise do pó preto", quando micropartículas de ferro poluíam toda a cidade.
Na época, a companhia negociava com o governo mais um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), já que não possui licenciamento ambiental definitivo.
De acordo com os Ministérios Públicos Estadual e Federal, o Inea "vinha adotando postura excessivamente tolerante ao conceder sucessivas prorrogações de prazo para o cumprimento das obrigações ambientais assumidas pela CSN, mesmo diante do histórico de descumprimento das metas estabelecidas.
Em uma das conversas, o presidente do Inea se refere ao autor de um parecer contrário aos interesses da siderúrgica.
Foi um f-d-p. Deu toda dica que ia dar um parecer ameno e veio com essa trolha.
No mesmo dia, o então secretário do Ambiente pergunta ao presidente do Inea.
O ex-secretário de Estado do Ambiente Bernardo Rossi, que hoje é candidato a deputado federal pelo União Brasil, negou qualquer vínculo patrimonial ou financeiro com a lancha citada pela Polícia Federal.
Sobre a CSN, ele afirmou que cobrava andamento dos processos, mas nunca determinou qualquer decisão das análises técnicas, jurídicas ou da legislação.
O ex-presidente do Inea Renato Bussiere disse que nunca foi proprietário da lancha e que tudo será provado dentro do processo legal. Disse ainda que está à disposição para esclarecer os fatos narrados.
Em relação à CSN, ele afirmou que o Inea não expediu licença de operação para a siderúrgica, que durante a gestão dele recebeu diversos processos de licenciamento ambiental, mas que isso não significa que tais solicitações tenham resultado em favorecimento ou interferência nas análises técnicas.
O RJ2 também pediu um posicionamento à CSN, mas não teve retorno.
🟩O g1 Rio está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode seguir o palco do g1 Rio para não perder nenhum episódio.
Em números
- Suspeita de lavagem de dinheiro em esquema que teria favorecido Refit e envolve lancha de R$ 4
Comentários
Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.
Carregando comentários…