Obra do BRT vai remover 493 árvores em SP.
A obra do futuro corredor de ônibus rápido (BRT) da Radial Leste na capital paulista prevê a retirada de 493 árvores na região, uma área que já concentra a menor quantidade de árvores por habitante da capital paulista — serão 277 espécies exóticas e 216 de espécies nativas.
Apesar de o projeto avançar com a promessa de reduzir o trânsito em uma das principais vias de São Paulo, a intervenção reacende o debate sobre os impactos ambientais de grandes obras no município.
A reforma deve criar um corredor exclusivo de 9,8 quilômetros entre o Terminal Dom Pedro II, no Centro, e a Estação Penha do Metrô, na Zona Leste. Segundo a Prefeitura de São Paulo, cerca de 400 mil passageiros deverão ser beneficiados diariamente com uma redução de aproximadamente 50% no tempo de deslocamento.
No entanto, a retirada das árvores preocupa moradores da região, que relatam uma redução gradual da vegetação nos bairros.
Eu moro na Mooca faz muitos anos e percebo que, num contexto geral do bairro, tem elevado muitos prédios. Aqui em volta, por exemplo, eles têm tirado muitas árvores, e a gente não vê aquele verde que faria bem para o ambiente", afirma a empreendedora Beatriz Padilha.
Especialista alerta para aumento do calor.
Para a professora Loyde de Abreu, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, a retirada da vegetação consolidada reduz imediatamente a capacidade de sombreamento da via.
Eu tenho uma vegetação que está consolidada. Ao retirar essa vegetação, eu vou reduzir a capacidade de sombreamento de uma via. Consequentemente, eu vou ter mais calor.
A região já sofre com ilhas de calor e vai demorar muito tempo para recuperar isso.
Ela compara a função das árvores ao funcionamento de um equipamento de climatização.
Temos que pensar que uma árvore é igual um ar-condicionado. Até recuperar, daqui 30 anos, você pode plantar dez árvores que não vai recuperar isso num espaço curto.
A professora também chama atenção para outra característica da região: a Radial Leste está situada em uma área de várzea. Segundo ela, diante da intensificação dos eventos climáticos extremos, o projeto deve prever soluções de drenagem e ampliação da infraestrutura verde.
Entre as medidas sugeridas estão a criação de jardins de chuva, o aumento da vegetação ao longo das calçadas e um planejamento que considere o escoamento da água da chuva.
Segundo a Prefeitura de São Paulo, a compensação ambiental prevê o plantio de 4. 031 mudas ao longo do empreendimento, na mesma região onde o corredor está sendo implantado.
Ainda de acordo com a administração municipal, a conclusão de trecho da obra está prevista para o fim deste mês.
Em números
- Segundo a Prefeitura de São Paulo, cerca de 400 mil passageiros deverão ser beneficiados diariamente
Fontes
Informação baseada em material público de G1 São Paulo, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.