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'O Rio pode mais': problemas no transporte e energia prejudicam trabalhadores e empresas em Niterói, São

Quarto capítulo da série mostra como problemas de energia e infraestrutura afetam trabalhadores, empresas e o turismo em Niterói e na Região dos Lagos.

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'O Rio pode mais': problemas no transporte e energia prejudicam trabalhadores e empresas em Niterói, São

O tempo perdido no deslocamento entre casa e trabalho virou um dos principais obstáculos para trabalhadores e empresas nas cidades mais importantes do Rio de Janeiro.

  • Falta de mão de obra, estradas e energia são entraves ao desenvolvimento da Região Serrana e Centro-Sul do RJ.
  • Problemas de acesso ao Porto do Açu e falta de energia travam crescimento econômico no Norte e Noroeste do estado.
  • Sul Fluminense e Costa Verde vivem desafios nas áreas do saneamento básico, energia e turismo sustentável.

Segundo dados citados na reportagem, os trabalhadores enfrentam, em média, mais de duas horas no trajeto diário. Ônibus lotados, poucos veículos disponíveis, trânsito intenso e viagens longas afetam a rotina de quem depende do transporte público e também a produtividade das empresas.

Os entraves para desenvolvimentos do Leste Fluminense foram temas do quarto capítulo da série "O Rio pode mais", do RJ2. A um mês das eleições, a equipe do telejornal percorreu diferentes regiões do estado para identificar os principais entraves ao desenvolvimento e os potenciais de cada território.

Em cinco capítulos, a série mostra como problemas de infraestrutura, mão de obra e outros gargalos afetam a economia local.

Em São Gonçalo, há trabalhadores que começam a jornada de deslocamento ainda de madrugada. Cristiane Gomes, diarista, conta que sai de casa às 4h30, pega três ônibus para chegar ao trabalho e outros três para voltar.

A rotina também é enfrentada por Diomilson Fortunato, mecânico que mora em Belford Roxo e trabalha em uma empresa em Niterói. Ele acorda às 3h30 e chega ao ponto às 4h.

Depois de pegar mais de um ônibus, ainda precisa caminhar por ruas escuras até chegar ao trabalho.

Para evitar atrasos, ele antecipa ainda mais o horário de saída de casa. “Eu começo a trabalhar às 7h da manhã. E por que chegar tão cedo? É por causa do trânsito.

Se eu não saio nesse horário, chego atrasado todos os dias. Pra eu não chegar atrasado, eu me sacrifico, saio bem cedo”, afirma.

O problema de mobilidade não termina quando o trabalhador chega ao destino. Para empresas que dependem de equipes e equipamentos circulando pela região, o trânsito pode representar perda de produtividade e dinheiro.

É o caso de uma empresa familiar que presta serviços para a indústria de óleo e gás em Niterói. A operação funciona como uma espécie de miniestaleiro e, muitas vezes, os serviços precisam ser realizados dentro de navios, que têm horários definidos para atracar e partir.

Segundo o empresário Bernhard Falke, um atraso no deslocamento pode comprometer toda a operação.

O impacto pode se espalhar por toda a cadeia econômica. “O operador perde dinheiro, o prestador de serviço perde dinheiro, a produção pode reduzir, os impostos reduzem.

E no final, os royalties do estado também reduzem. Todo mundo perde dinheiro a longo prazo”, diz Falke.

A Rodovia Niterói-Manilha é um dos principais eixos de ligação da região e concentra o deslocamento de cargas e milhares de trabalhadores. São Gonçalo, segundo município mais populoso do estado, funciona também como uma importante cidade-dormitório.

Aeroporto de Cabo Frio tem potencial, mas operação é limitada.

Na Região dos Lagos, os desafios de infraestrutura aparecem em outro setor estratégico: o turismo. O Aeroporto Internacional de Cabo Frio tem a segunda maior pista do estado e poderia ampliar a conexão da região com outros destinos.

Segundo a prefeitura, o terminal tem condições operacionais para receber voos nacionais e internacionais. Na última temporada, foram 77 voos diretos da Argentina.

Atualmente, porém, a principal movimentação está relacionada à indústria do petróleo, com embarques e desembarques de trabalhadores de plataformas.

Para Isaque Ouverney, gerente de Infraestrutura da Firjan, o aeroporto pode ser um importante indutor do desenvolvimento regional.

O terminal também é estratégico para o setor de óleo e gás e para o transporte de cargas. Desde o fim da antiga concessão, porém, o aeroporto é operado em caráter emergencial.

Uma nova licitação foi preparada pela prefeitura, mas ainda depende da homologação da Secretaria Nacional de Aviação Civil.

Falta de água e luz afeta hotéis e pousadas.

A Região dos Lagos reúne destinos turísticos de grande importância para o estado. Búzios, Cabo Frio, Arraial do Cabo, Rio das Ostras e Saquarema estão entre os municípios fluminenses classificados pelo Ministério do Turismo como destinos de excelência, devido ao volume de visitantes e ao impacto econômico da atividade.

Mas problemas antigos de infraestrutura ainda dificultam o funcionamento de hotéis e pousadas.

A falta de energia faz com que geradores deixem de ser equipamentos de emergência e passem a fazer parte da estrutura básica dos estabelecimentos.

Thomaz Weber, dono de pousadas, diz que as interrupções provocam prejuízos e atingem diretamente a avaliação dos estabelecimentos.

Os picos de energia também danificam equipamentos. Elevadores e motores podem ser afetados pelas oscilações, gerando novos gastos para os empresários.

A falta de água é outro problema recorrente, principalmente na alta temporada, quando a população das cidades aumenta com a chegada dos turistas.

Segundo Laura, a oferta não acompanha a demanda de pousadas, casas e visitantes.

Uma das alternativas é pedir caminhões-pipa. Mas até essa solução enfrenta dificuldades de mobilidade.

Em situações extremas, estabelecimentos já precisaram improvisar para manter o abastecimento.

Para os empresários, a necessidade de resolver problemas básicos tira o foco da atividade principal.

Para a Firjan, melhorar a infraestrutura é essencial para que o potencial econômico da região seja aproveitado. Além do aeroporto de Cabo Frio, rodovias como a BR-101 e a RJ-106, a Amaral Peixoto, são importantes para conectar os municípios e movimentar trabalhadores, cargas e turistas.

Isaque Ouverney destaca que a BR-101 passa por um novo ciclo de investimentos, com reflexos especialmente na região de Itaboraí. Mas, segundo ele, também são necessários investimentos nas rodovias estaduais.

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