Série especial do RJ2 mostra desafios e gargalos econômicos que impedem o RJ de alcançar seu potencial financeiro.
A Região Serrana e o Centro-Sul Fluminense reúnem setores com potencial para gerar empregos e movimentar a economia do estado, mas ainda enfrentam obstáculos que dificultam a expansão dos negócios.
Entre os principais problemas apontados por empresários e produtores estão a falta de mão de obra qualificada, as condições das estradas e a qualidade da energia elétrica.
A Região Serrana e o Centro-Sul são tema do primeiro capítulo da série "O Rio pode mais", do RJ2, que, a um mês das eleições, percorre diferentes regiões do estado para identificar os principais entraves ao desenvolvimento e os potenciais de cada território.
Em cinco capítulos, mostra como problemas de infraestrutura, mão de obra e outros gargalos afetam a economia local.
A série também apresenta histórias de quem empreende, trabalha e investe para transformar esse potencial em crescimento.
Em Nova Friburgo, um dos principais polos de moda íntima do país, a escassez de profissionais especializados se tornou um dos maiores desafios para as confecções.
A empresária Deborah Moraes, que assumiu a empresa da família depois de trabalhar por 14 anos como fonoaudióloga, conta que a dificuldade de contratar trabalhadores limita a capacidade de produção e torna mais complexa a abertura de novos negócios.
O apagão de trabalhadores especializados também é apontado por representantes do setor. Nova Friburgo e cidades da região reúnem cerca de 4 mil fábricas, segundo José Américo de Farias, vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Nova Friburgo.
A dificuldade está principalmente na formação de profissionais para funções que exigem especialização e experiência.
Para tentar reduzir o problema, algumas empresas voltaram a investir na formação de trabalhadores dentro das próprias fábricas. Deborah diz que a empresa da família retomou o treinamento de costureiras, uma prática que havia deixado de fazer há anos.
Ela também aponta a informalidade como outro fator que dificulta a contratação.
Turismo e vinho como alternativa no Centro-Sul.
A cerca de 140 quilômetros de Nova Friburgo, a economia de Três Rios e da região do Centro-Sul apresenta outras possibilidades. Uma delas é o turismo associado à produção de vinhos.
Em Bemposta, distrito de Três Rios, o empresário Marcus Rezende aposta no enoturismo, combinando produção de uvas, gastronomia, hospedagem e experiências para atrair visitantes.
A propriedade está na terceira safra e deve colher entre duas e três toneladas de uvas.
O projeto ainda enfrenta o mesmo problema de falta de profissionais. A dificuldade envolve tanto trabalhadores especializados na produção agrícola quanto funcionários para o setor de turismo, como camareiras e garçons.
Em grandes eventos, a empresa chega a trazer trabalhadores de Juiz de Fora, em Minas Gerais.
Para Rezende, o desenvolvimento do turismo depende também de políticas públicas de qualificação e incentivo ao empreendedorismo local.
Energia também limita crescimento da indústria.
Em Três Rios, a indústria enfrenta outro gargalo: a qualidade do fornecimento de energia elétrica.
A cidade abriga parte do segundo maior polo plástico do estado, com empresas que produzem itens como forros, ripados e tubulações de PVC. O empresário Igor Navarro afirma que oscilações durante o dia afetam equipamentos industriais sensíveis.
Navarro afirma que a empresa pretende continuar na cidade, mas cobra investimentos em energia, estradas, mão de obra e medidas de incentivo ao setor produtivo.
BR-040 é um dos principais gargalos.
Na Região Serrana, as condições da BR-040, especialmente na subida da Serra de Petrópolis, aparecem como outro obstáculo para a economia.
A rodovia é uma das principais ligações entre a capital e a Região Serrana. As obras da nova pista da subida da serra, previstas para serem concluídas há cerca de dez anos, foram interrompidas.
O impacto é sentido por motoristas e também por empresas que dependem da estrada para transportar mercadorias. O tráfego de veículos pesados pode provocar filas e aumentar o tempo de deslocamento.
Em Petrópolis, a situação preocupa especialmente empresas que precisam transportar equipamentos de alta tecnologia. É o caso da GE Celma, que mantém na cidade uma grande unidade de manutenção de motores de avião.
Para Júlio Talon, presidente da empresa, a infraestrutura da serra é hoje o principal entrave ao crescimento econômico da região. A companhia, segundo ele, chega a optar por rotas mais longas para evitar os problemas da BR-040.
As dificuldades de infraestrutura não ficam restritas às grandes empresas. Na agricultura, estradas em más condições podem significar perda de produção.
A Região Serrana é responsável por cerca de 80% das frutas, legumes e verduras consumidos no estado, segundo a reportagem. Produtores dependem das estradas para escoar aquilo que é colhido nas propriedades.
O agricultor Joaquim Sérgio Lages diversifica a produção e cultiva, entre outras culturas, castanhas e tangerinas. Ele afirma que, em períodos de chuva, barreiras e problemas nas estradas podem impedir o transporte da produção.
Potencial depende de infraestrutura e planejamento.
Para especialistas da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), o interior fluminense tem potencial para ampliar atividades como o turismo e diversificar a economia.
O economista-chefe da entidade, Jonathas Goulart, destaca a possibilidade de desenvolver o turismo associado às vinícolas e outros negócios do interior. Para ele, o estado precisa estimular diferentes cadeias produtivas em vez de depender excessivamente de setores específicos.
Isso passa, segundo o especialista, por reduzir custos de produção e melhorar a infraestrutura, a qualidade da energia e as estradas.
Após uma longa disputa judicial, uma nova concessionária assumiu a administração da BR-040 em novembro do ano passado. O cronograma da concessionária prevê a recuperação das pistas até novembro deste ano.
Já a entrega da nova subida da Serra de Petrópolis está prevista para 2029.
No segundo episódio da série, o RJ2 vai ao Norte e ao Noroeste do estado. As regiões também enfrentam problemas que afetam o desenvolvimento econômico, como estradas precárias e fornecimento irregular de energia.
Em números
- Nova Friburgo e cidades da região reúnem cerca de 4 mil fábricas, segundo José Américo de Farias, vice-pr