Belo Horizonte – A comunidade quilombola Manzo Ngunzo Kaiango, em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, recebeu as obras de recuperação do território. As intervenções incluíram contenção de encosta, drenagem, reconstrução de edificações e melhorias nas redes elétrica e hidrossanitária.
Entre as estruturas recuperadas estão o salão onde são realizados rituais, a cozinha, anexos e banheiros acessíveis. Também foi construído um muro de arrimo de seis metros de altura e seis de profundidade para conter a encosta que apresentava risco de deslizamento.
A história do Manzo está ligada à trajetória de Efigênia Maria da Conceição, conhecida como Mãe Efigênia. Descendente de indígenas e de africanos escravizados que viveram na região do Morro da Queimada, em Ouro Preto, ela se mudou com a família para Belo Horizonte em 1955.
Na década de 1970, Mãe Efigênia adquiriu um terreno que se tornou o núcleo da comunidade. No local funcionava o terreiro de umbanda Senzala de Pai Benedito, posteriormente transformado em uma casa de Candomblé Angola da tradição Bantu.
O território foi reconhecido como patrimônio imaterial pelo município de Belo Horizonte, em 2017, e pelo Estado de Minas Gerais, em 2018.
Após anos de perseguição religiosa e racismo, parte da comunidade se mudou, em 2007, para o bairro Bonanza, em Santa Luzia. O Kilombo Manzo mantém atividades em Santa Luzia e Belo Horizonte.
Para o promotor de Justiça Marcelo Maffra, responsável pela Coordenadoria do Patrimônio Cultural do MPMG, a recuperação do espaço representa também a preservação da memória e da cultura afro-brasileira.
Líder do quilombo, Mãe Efigênia se emocionou ao conhecer o espaço renovado.
A recuperação do território busca garantir mais segurança aos moradores e preservar o espaço onde são mantidas atividades culturais, religiosas e comunitárias da comunidade quilombola.
Fontes
Informação baseada em material público de Metrópoles, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.