A Justiça converteu em preventiva, neste sábado (8), a prisão em flagrante do falso médico Diogo dos Santos Serpa, preso durante um atendimento domiciliar a uma criança de 10 anos com um tumor cerebral maligno, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
A decisão foi tomada durante audiência de custódia pela juíza Andressa Maria Ramos Ramundo. Para a magistrada, a prisão é necessária diante do risco que a atuação do suspeito poderia representar para outras pessoas.
Segundo a decisão, Diogo teria usado reiteradamente a identidade e documentos médicos de terceiros para realizar consultas e prescrever medicamentos, apesar de não ter formação ou habilitação para exercer a medicina.
"A utilização reiterada de identidade e documentos médicos alheios, associada à realização de atendimentos e prescrição de medicamentos sem habilitação profissional, revela maior censurabilidade da conduta e demonstra que a liberdade do agente representa risco direto à vida alheia", escreveu a magistrada.
A juíza também considerou que havia indícios de que a prática não teria sido isolada.
"A gravidade concreta dos fatos exige resposta firme do Poder Judiciário, especialmente diante dos elementos que indicam habitualidade na prática delitiva, uma vez que o custodiado teria realizado atendimentos médicos ao longo de meses, utilizando-se da identidade de profissional habilitado."
Segundo a decisão, a prisão preventiva também busca impedir a continuidade dos crimes e proteger outras pessoas.
"Assim, a custódia cautelar não se funda em gravidade abstrata, mas na necessidade de impedir a continuidade delitiva e resguardar a coletividade", completou a magistrada.
Diogo foi preso em flagrante na quinta-feira (6) por agentes da 63ª DP (Japeri) durante um atendimento na casa da família da paciente, no Jardim Pitoresco, em Nova Iguaçu.
Ainda de acordo com a investigação, Diogo usava registros no Conselho Regional de Medicina (CRM), carimbo e receituários de outros profissionais sem autorização. Ele não possui formação nem habilitação para atuar como médico.
Durante os atendimentos, teria prescrito medicamentos, solicitado exames e feito encaminhamentos usando o nome de outro médico.
A criança tem meduloblastoma grau IV, um tumor cerebral maligno. Segundo a polícia, as prescrições feitas por uma pessoa sem habilitação poderiam colocar a saúde da paciente em risco.
O caso foi descoberto depois que a mãe da criança passou a desconfiar da atuação de Diogo. Segundo ela, uma das sondas de alimentação da filha ficou cinco meses sem ser trocada, além de outras inconsistências observadas durante o tratamento.
A mãe pesquisou o nome que aparecia no carimbo usado pelo homem — Jeferson Targino Sampaio — no site do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj). Ela descobriu que a foto associada ao registro era de outra pessoa e procurou a polícia.
A prisão ocorreu durante uma das consultas.
Antes de iniciar o tratamento com Diogo, a menina havia passado por dez cirurgias delicadas, sete delas na cabeça. Segundo a família, ela permanece deitada e em tratamento desde que a doença foi descoberta, em abril de 2025.
A TV Globo não conseguiu contato com a defesa de Diogo dos Santos Serpa.
Fontes
Informação baseada em material público de G1 Rio, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.