A empresa Voo Rio Panorâmico, responsável pelo helicóptero que caiu na região da Vista Chinesa, no Alto da Boa Vista, na Zona Sul do Rio, afirmou neste sábado (8) que a aeronave estava com a manutenção em dia e que a empresa tinha todos os alvarás necessários para funcionar. Segundo o advogado da empresa, Bernardo Cortez, o piloto também estava com as licenças em dia.
O acidente matou quatro pessoas: o piloto Alessandro Rocha e as turistas colombianas Rocio Cubillos, de 59 anos, Wendy Manrique, de 37, e Sofia Murillo, de 17. As três mulheres eram da mesma família — avó, filha e neta.
O helicóptero, um Robinson R44 de prefixo PP-MFS, caiu em uma área de mata íngreme na manhã deste sábado. Os quatro ocupantes morreram carbonizados.
O advogado afirmou que ainda não é possível apontar a causa da queda e que as circunstâncias do acidente deverão ser esclarecidas pela investigação do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA).
“O que nós podemos dizer é que a empresa tem todos os alvarás, a aeronave estava com a manutenção em dia, e somente saberemos o que ocorreu após a conclusão do relatório do Cenipa e sua disponibilização pela Aeronáutica.”, disse Bernardo Cortez.
Questionado sobre o que teria provocado o acidente, Cortez afirmou que, neste momento, não há informação sobre a causa.
O helicóptero caiu em uma região de mata fechada e de difícil acesso. Segundo o Corpo de Bombeiros, a aeronave explodiu após atingir a encosta e as chamas se espalharam pela vegetação.
A operação de resgate mobilizou cerca de 40 militares, 11 viaturas e quatro unidades operacionais. As equipes precisaram utilizar técnicas de corda e equipamentos de segurança para acessar o local.
Sobre a existência de uma câmera 360 instalada dentro do helicóptero para registrar o passeio, o advogado não confirmou que o equipamento existia.
O repórter voltou a questionar o advogado sobre o equipamento, inclusive diante da informação de que imagens de passeios poderiam ser adquiridas pelos passageiros. Cortez manteve a cautela.
A existência de uma eventual gravação poderá ser relevante para a investigação das circunstâncias da queda. O CENIPA deverá analisar os elementos relacionados ao acidente.
Familiares das vítimas que estavam no hangar aguardando para fazer um voo no mesmo helicóptero relataram que ouviram funcionários comentando sobre um possível “pouso forçado” e que tiveram dificuldade para obter informações.
Segundo um dos familiares, eles acabaram sabendo da morte das vítimas por redes sociais e por sites de notícias enquanto ainda estavam no local.
Questionado sobre o relato, o advogado afirmou que não tinha informações sobre eventual demora na comunicação.
Cortez disse ainda que os proprietários da empresa foram ao aeroporto e prestaram as informações que tinham naquele momento.
Segundo ele, a empresa procurou prestar assistência aos parentes das vítimas.
Outro ponto questionado à empresa foi a documentação assinada pelos passageiros antes do voo.
O advogado foi perguntado se os três turistas colombianos haviam assinado um termo de responsabilidade e se havia um documento que comprovasse isso. Cortez disse não ter a informação.
O advogado afirmou, porém, que a empresa segue as obrigações relacionadas à atividade.
O piloto Alessandro Rocha também morreu na queda. Segundo o advogado da empresa, ele era experiente e estava habilitado para realizar o voo.
Cortez voltou a afirmar que, segundo as informações disponíveis à empresa, tanto o negócio quanto a aeronave estavam regulares.
O advogado ressaltou que informações adicionais sobre as circunstâncias do acidente dependem da investigação.
As três turistas colombianas — Rocio Cubillos, Wendy Manrique e Sofia Murillo — faziam a primeira viagem ao Brasil. Elas estavam acompanhadas de outros familiares, que permaneceram no hangar e embarcariam posteriormente no mesmo helicóptero.
O advogado afirmou que os proprietários da empresa levaram os familiares para um hotel e estão auxiliando também nas providências relacionadas ao funeral.
Questionado se a empresa continuaria realizando voos panorâmicos nos próximos dias, o advogado disse que ainda não tinha essa informação.
Perguntado se a empresa estava operando normalmente naquele momento, Cortez também não soube responder.
A possibilidade de suspensão dos voos panorâmicos também foi mencionada neste sábado pelo prefeito Eduardo Cavaliere (PSD). No local do acidente, ele afirmou que havia encaminhado um ofício à Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) pedindo providências e citou a possibilidade de uma suspensão temporária para ampliar a fiscalização de aeronaves, helipontos e manutenção.
A ANAC e o CENIPA são os órgãos federais responsáveis, respectivamente, pela regulação e fiscalização da aviação civil e pela investigação de acidentes aeronáuticos.
Fontes
Informação baseada em material público de G1 Rio, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.