O soldado da Polícia Militar (PM) Vinícius Costa Silva, de 26 anos, suspeito de envolvimento na morte da esposa, Larissa da Cruz Morata, de 29, foi levado para o Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte de São Paulo.
Trajetória da bala embasou prisão de PM.
Esta é a mesma unidade da PM em que está preso o tenente-coronel da reserva Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de matar a própria esposa, a soldado Gisele Alves Santana, em fevereiro, no apartamento do casal, na Zona Leste da capital.
Vinícius teve a prisão temporária decretada pela Justiça após a Polícia Civil identificar elementos que colocaram em dúvida a versão de suicídio apresentada por ele, como a trajetória do projétil que matou Larissa na residência do casal, no último domingo (6), em Embu das Artes, na região metropolitana.
A família não acreditou na versão do soldado e sustenta que ela foi vítima de feminicídio.
Vinicius Silva (à esquerda) é suspeito de matar Larisa Marata. Geraldo Neto (à direita) é réu pelo feminicídio de Gisele Alves. Os dois PMs estão no presídio militar Romão Gomes em SP.
Vinícius foi preso na segunda-feira (7), em sua residência, enquanto ocorria o velório da esposa. Depois de ser detido pela Corregedoria da PM e levado à delegacia, ele foi encaminhado ao Romão Gomes.
A prisão temporária é inicialmente de 30 dias e pode ser prorrogada.
O g1 não conseguiu localizar a defesa de Vinicius. Em seu depoimento antes da prisão, o soldado alegou que Larissa chorou e se matou com um tiro na cabeça após ele dizer que não a amava mais e queria a separação.
A arma usada foi a dele, e foi encontrada sob o corpo da mulher.
Já Geraldo Neto está preso preventivamente desde março e é réu por feminicídio e fraude processual pela morte de Gisele. O tenente-coronel é acusado pelo Ministério Público (MP) de ter matado a esposa e tentado alterar a cena do crime para simular um suicídio.
A coincidência entre os casos ocorre no momento em que as investigações sobre as duas mortes avançaram a partir da análise das cenas dos crimes e de elementos periciais que colocaram em dúvida as versões de suicídio inicialmente apresentadas.
No caso de Larissa, a Polícia Civil investiga a morte como suspeita e aguarda resultados periciais para confirmar a possibilidade de feminicídio. A mulher foi encontrada morta com um tiro na cabeça dentro da residência onde morava com Vinícius e o filho de 2 anos.
A partir dos elementos reunidos na investigação, a principal hipótese passou a ser a de assassinato, e não de suicídio.
A delegada Bruna Caracho Crippa, responsável pelo caso, afirmou que a trajetória da bala identificada durante o exame necroscópico embasou o pedido de prisão do soldado à Justiça.
Outros elementos da investigação e a postura do policial durante os depoimentos também foram levados em consideração.
Informações preliminares dos peritos dão conta de que o disparo que matou a mulher foi dado da esquerda para a direita, acima da orelha esquerda, na parte detrás da cabeça.
Como Larissa é destra, seria improvável que ela fizesse isso.
Gisele Alves Santana foi encontrada morta com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro de 2026, no apartamento onde morava com Geraldo Neto, no Brás, região central de São Paulo.
Ela tinha 32 anos e deixou uma filha, fruto de um relacionamento anterior.
O caso inicialmente também foi tratado como suicídio, mas a investigação apontou elementos que contradiziam essa versão. O laudo pericial descartou a hipótese de que Gisele tivesse tirado a própria vida.
Geraldo Neto, de 54 anos, foi denunciado pelo Ministério Público (MP) e se tornou réu na Justiça comum por feminicídio qualificado e fraude processual. Segundo a acusação, ele teria matado Gisele e alterado a cena do crime para tentar fazer a morte parecer um suicídio.
Os detalhes que transformaram o tenente-coronel em réu pelo feminicídio da PM Gisele Alves.
O tenente-coronel está preso preventivamente no Romão Gomes desde 18 de março.
O interrogatório de Geraldo Neto, que estava previsto para esta terça-feira (8), foi adiado para 5 de outubro. A decisão atendeu a um pedido da defesa, que solicitou prazo para a realização de diligências complementares relacionadas ao laudo pericial.
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