Durante muito tempo, escolher onde morar significava avaliar principalmente metragem, número de quartos, vagas de garagem, segurança e proximidade do trabalho. No mercado imobiliário de alto padrão (j8 imóveis), a localização sempre esteve entre os principais atributos de um imóvel.
Agora, porém, o conceito de boa localização começa a ganhar uma nova dimensão: a caminhabilidade.
O termo, também conhecido como walkability, mede a qualidade de uma região para deslocamentos realizados a pé. A análise considera não apenas a distância entre a residência e os principais serviços, mas também fatores como qualidade das calçadas, arborização, iluminação, segurança, conectividade das ruas, transporte público e oferta de comércio, gastronomia e lazer.
Em Curitiba, o conceito começa a ser incorporado de maneira mais estratégica por empresas do setor imobiliário e já influencia decisões relacionadas à escolha de bairros para novos empreendimentos.
Um bairro com boa caminhabilidade é aquele em que o morador consegue realizar parte significativa da rotina sem depender do carro. Supermercados, farmácias, restaurantes, cafés, academias, escolas, clínicas, parques e outros serviços precisam estar acessíveis, mas a distância não é o único fator considerado.
A experiência do percurso também importa.
Calçadas confortáveis, ruas arborizadas, boa iluminação, travessias adequadas e sensação de segurança contribuem para tornar determinado endereço mais agradável para quem caminha.
A mudança representa uma nova forma de analisar a localização. Se antes um imóvel era valorizado por estar “perto de tudo”, o mercado começa a buscar maneiras mais objetivas de entender o que significa essa proximidade e como ela interfere na rotina do morador.
A valorização da caminhabilidade está ligada a uma transformação nos hábitos urbanos. Com deslocamentos cada vez mais longos e o trânsito ocupando uma parcela significativa do dia, o tempo livre passou a ser um atributo cada vez mais valorizado.
Nesse contexto, o imóvel deixa de ser analisado apenas pelo que oferece dentro de seus limites. O entorno também passa a fazer parte da experiência de morar.
Um apartamento pode reunir arquitetura sofisticada, acabamentos de alto padrão e uma estrutura completa de lazer. Mas, se o morador precisa utilizar o carro para comprar pão, tomar um café, ir à academia ou acessar uma farmácia, existe uma dependência maior da mobilidade individual.
Em uma região caminhável, essas atividades podem estar a poucos minutos de casa.
Para o comprador de alto padrão, essa conveniência representa mais do que praticidade: representa tempo.
Caminhabilidade e qualidade de vida.
Segundo o engenheiro Luiz Antoniutti, que atua no setor de incorporação imobiliária, a caminhabilidade está diretamente relacionada à qualidade de vida.
Quanto mais atividades podem ser realizadas próximas da residência, menor tende a ser a necessidade de deslocamentos motorizados para tarefas cotidianas. Isso pode significar menos tempo no trânsito, mais autonomia, contato com o espaço urbano e oportunidades de atividade física.
A caminhada deixa, assim, de ser apenas uma maneira de chegar a determinado destino e passa a fazer parte da própria experiência de viver.
Essa lógica também acompanha uma transformação mais ampla no mercado imobiliário de alto padrão, em que o luxo vem sendo associado cada vez mais ao bem-estar, à praticidade e à qualidade de vida, e não apenas à ostentação.
Em Curitiba, a caminhabilidade já começa a ser considerada em decisões concretas do mercado.
Um exemplo é a escolha do Alto da Glória para um novo empreendimento. Segundo Antoniutti, a capacidade de caminhar pelo bairro passou a ter peso na definição do endereço.
A análise deixa de considerar apenas fatores tradicionais, como preço do metro quadrado, disponibilidade de terrenos e potencial construtivo, e passa a observar também a qualidade do entorno.
A pergunta, portanto, deixa de ser somente quanto vale determinado terreno e passa a incluir uma questão mais ampla: que tipo de vida aquele endereço permite.
O Alto da Glória reúne características que se tornam cada vez mais relevantes para esse novo perfil de demanda, como localização estratégica, áreas verdes, serviços e infraestrutura urbana, mantendo ao mesmo tempo uma forte característica residencial.
A localização começa a ser medida em minutos.
Uma das mudanças provocadas pela caminhabilidade está na própria maneira de interpretar a localização.
Tradicionalmente, os imóveis são apresentados pela distância até determinados pontos: 500 metros de um shopping, 1 quilômetro de um parque ou 800 metros de uma avenida.
Mas a distância física não necessariamente representa a experiência do percurso.
Quinhentos metros em uma rua arborizada, com calçadas confortáveis e boa infraestrutura podem ser muito diferentes de 500 metros em um trajeto pouco seguro ou desconectado.
Por isso, a caminhabilidade aproxima a localização de uma medida mais relacionada à rotina: quantos minutos são necessários para chegar a determinado lugar.
Cinco, dez ou quinze minutos de caminhada podem representar uma diferença significativa na percepção de valor de um endereço.
Outra mudança está relacionada ao próprio conceito de luxo.
Durante anos, os empreendimentos de alto padrão buscaram concentrar dentro dos condomínios o máximo possível de serviços e comodidades: academias, piscinas, spas, coworkings, espaços gourmet e áreas de convivência.
Agora, o bairro também passa a ser considerado parte dessa infraestrutura.
Ter uma academia completa dentro do condomínio é um diferencial. Mas estar próximo de diferentes centros esportivos amplia as possibilidades. Ter uma área gourmet é conveniente, mas estar perto de bons restaurantes oferece outras experiências.
Ter jardins internos é valorizado, mas poder caminhar até um parque também representa qualidade de vida.
Nesse cenário, o entorno funciona como uma extensão do próprio imóvel.
Caminhabilidade pode influenciar a valorização.
A caminhabilidade, isoladamente, não garante a valorização de um imóvel. O preço de uma propriedade continua dependendo de fatores como oferta e demanda, localização, infraestrutura, características do empreendimento, cenário econômico e comportamento do mercado.
No entanto, a qualidade dos deslocamentos a pé pode funcionar como um atributo adicional de atratividade.
Bairros que conseguem combinar comércio, serviços, mobilidade, segurança, áreas verdes e boa infraestrutura oferecem uma experiência urbana mais completa e podem se tornar mais competitivos para moradores e investidores.
Para incorporadores, isso representa também uma oportunidade de diferenciação.
A análise do terreno pode passar a considerar não apenas o que pode ser construído naquele espaço, mas também aquilo que o bairro já oferece.
Para quem está avaliando um imóvel, a caminhabilidade pode ser incorporada à análise do próprio investimento.
Além de visitar o apartamento, vale conhecer o entorno a pé e observar.
quais serviços estão disponíveis em até cinco minutos;o que pode ser acessado em dez ou quinze minutos;qualidade e acessibilidade das calçadas;arborização e áreas verdes;iluminação e segurança;comércio e gastronomia;transporte público;parques e espaços de lazer;movimento do bairro em diferentes horários.
Esse tipo de análise pode revelar características que não aparecem durante uma visita tradicional ao imóvel.
A valorização da caminhabilidade também pode contribuir para fortalecer bairros que não estão necessariamente nos eixos mais tradicionais do mercado de alto padrão.
Curitiba possui uma estrutura urbana descentralizada, com diferentes regiões que reúnem comércio, serviços, áreas verdes, lazer e infraestrutura próprias.
Alto da Glória, Bigorrilho, Cabral, Água Verde, Ecoville e Campo Comprido, por exemplo, apresentam características distintas e diferentes propostas de experiência urbana.
Nesse cenário, a localização deixa de ser apenas um endereço e passa a representar uma forma de viver.
Não é apenas morar perto de um parque, mas poder chegar até ele caminhando. Não é apenas estar próximo de restaurantes, mas poder escolher onde tomar um café sem precisar dirigir.
O futuro do alto padrão pode estar no entorno.
O mercado imobiliário de alto padrão está constantemente buscando novos diferenciais. Grandes áreas privativas, condomínios completos, automação, arquitetura assinada, sustentabilidade e wellness já fazem parte desse processo.
Agora, a experiência urbana começa a ganhar espaço.
A caminhabilidade representa justamente essa evolução porque não está necessariamente dentro do imóvel. Está na relação entre casa, bairro, cidade e rotina.
Para um comprador que já possui acesso a acabamentos sofisticados, tecnologia e conforto, atributos difíceis de reproduzir podem ganhar ainda mais relevância: uma boa localização, um bairro consolidado, uma rua agradável, uma rede de serviços e a possibilidade de viver bem sem depender do carro para tudo.
Em Curitiba, a escolha do Alto da Glória considerando a caminhabilidade como um dos fatores do empreendimento mostra que esse conceito começa a fazer parte das decisões reais do mercado.
Mais do que estar em um bairro valorizado, o novo comprador quer entender como é viver naquele endereço.
E, nesse cenário, caminhar pode se tornar uma das novas formas de medir o valor de uma localização.
Fontes
Informação baseada em material público de G1 Paraná, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.