Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, afirmou à Polícia Federal que ofereceu como um “agrado” um serviço de consultoria de luxo a Paulo Sérgio Neves de Souza, então diretor de Fiscalização do Banco Central, para uma viagem aos Estados Unidos.
Polícia Federal investigou que Paulo Sérgio Neves orientava empresário em assuntos de interesse do Master.
Segundo a investigação, Paulo Sérgio teria utilizado serviços da SL Consulting durante uma viagem aos parques da Disney e da Universal, em Orlando, nos Estados Unidos, com a família.
Ao ser questionado sobre o benefício, Vorcaro disse que já utilizava a empresa e costumava disponibilizar o serviço a outras pessoas. “Ofereci como um agrado. Era um serviço que oferecia para muitas pessoas.
À época, Paulo Sérgio já havia deixado o cargo de diretor de Fiscalização do Banco Central. Ele atuava como chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária da autoridade monetária.
Procurada pelo Poder360, a defesa de Vorcaro declarou que não pretende se manifestar sobre os fatos relatados pela reportagem.
Paulo Sérgio Neves de Souza era chefe-adjunto de Supervisão Bancária do BC e mantinha contato próximo com Vorcaro. Ele foi citado na 3ª fase da operação Compliance Zero, deflagrada em 4 de março deste ano.
Segundo o despacho (PDF – 384 kB) do ministro André Mendonça, que autorizou a operação, Neves e Vorcaro trocavam mensagens. O funcionário do Banco Central dava orientações em ofícios e até para uma reunião com o presidente da autoridade monetária.
Neves foi afastado do Banco Central por ordem do Supremo, assim como Belline Santana, chefe-adjunto do Desup (Departamento de Supervisão Bancária). De acordo com o Banco Central, indícios de percepção de vantagens indevidas por 2 integrantes do quadro permanente foram identificados durante revisão interna de processos de fiscalização e de liquidação da instituição financeira.
Para a Polícia Federal, as provas indicam que o ex-diretor prestava uma “consultoria informal” para Vorcaro sobre temas de interesse do Master. Os investigadores entenderam que Neves e Santana mantinham um relacionamento ilícito com o fundador do Master, com recebimento mensal de valores por meio de estruturas empresariais usadas para ocultar pagamentos.
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