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Política Revisado por ULTRA AI

USP e Icesp criam IA para prever risco de câncer de mama

Ferramenta utiliza dados de rotina para estimar recorrência ou morte, dispensando testes genéticos caros e inacessíveis no SUS. Leia no Poder360.

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## Ferramenta utiliza dados de rotina para estimar recorrência ou morte, dispensando testes genéticos caros e inacessíveis no SUS.

Pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e do Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo) desenvolveram o BreastOncoPredict, um software de inteligência artificial capaz de prever o risco de recorrência —isto é, o retorno do câncer na mama ou em outra parte do corpo, o que é chamado de metástase— ou morte de pacientes com câncer de mama.

O trabalho foi publicado em versão não editada na revista científica npj Breast Cancer, do grupo Nature, e a ferramenta criada no C2PO (Centro Integrado de Oncologia de Precisão).

A principal inovação do estudo está na simplicidade dos dados utilizados. Em vez de recorrer a testes genéticos que analisam o tecido do tumor e podem custar milhares de reais por paciente, o software utiliza só informações já coletadas rotineiramente ao diagnóstico: o estágio clínico do tumor, a idade da paciente e um hemograma completo.

Como esses dados já são gerados no atendimento padrão, o uso da ferramenta não representaria nenhum custo adicional para o SUS (Sistema Único de Saúde).

O trabalho incorpora o papel dos glóbulos vermelhos (a chamada série vermelha do hemograma) na previsão de risco —um tipo de dado raramente utilizado por modelos prognósticos de câncer de mama até então.

Além disso, sugere que um maior risco de recorrência em 10 anos para pacientes com câncer de mama está relacionado, de forma independente, a baixos níveis de hemoglobina (anemia) e a valores elevados de RDW (parâmetro para medir a variação no tamanho das hemácias, que são os glóbulos vermelhos do sangue).

A equipe analisou dados retrospectivos de 4. 867 pacientes tratadas no Icesp de 2008 a 2022, chegando a um corte final de 4. 277 pacientes. A partir do hemograma, os pesquisadores calcularam índices que refletem o estado inflamatório e imunológico do organismo –como a razão entre neutrófilos e linfócitos, entre plaquetas e linfócitos, e a variabilidade no tamanho das hemácias (RDW).

Depois, os índices foram combinados a dados clínicos básicos, totalizando 16 variáveis.

Dezenas de modelos de aprendizado de máquina foram treinados e comparados, até a equipe chegar a um modelo final que combina diferentes algoritmos (conhecido como ensemble ou stacking).

O software consegue prever tanto o risco de recorrência em curto prazo (2 anos) quanto em longo prazo (10 anos), com desempenho consistente entre os principais subtipos moleculares do câncer de mama (HR+, HER2+ e triplo-negativo).

Segundo estimativas do Inca (Instituto Nacional de Câncer), o Brasil registra cerca de 73. 610 novos casos de câncer de mama por ano. Testes genéticos de referência para prognóstico do câncer de mama analisam a atividade de genes diretamente no tecido do tumor e podem custar milhares de reais por paciente.

Os altos valores desses testes tornam sua incorporação inviável na rotina do SUS e de sistemas públicos de saúde de outros países de renda média e baixa.

Na prática, os pesquisadores esperam que a ferramenta ajude médicos a calibrar a intensidade do tratamento e do acompanhamento de cada paciente. Casos de alto risco poderiam ter tratamento estendido e vigilância mais próxima, enquanto pacientes de baixo risco poderiam ser poupadas de exames e intervenções desnecessárias.

Para gestores de saúde pública, a ferramenta tem a vantagem de não onerar o sistema de saúde.

O estudo publicado tem caráter retrospectivo, isto é, foi construído a partir de dados de pacientes já tratadas no passado. Agora, a equipe planeja uma etapa de validação prospectiva, acompanhando novas pacientes do Icesp para confirmar as métricas de desempenho observadas.

Está prevista ainda uma fase de validação externa, em parceria com outros hospitais públicos, além de uma primeira colaboração já em planejamento com outra instituição do SUS no Estado de São Paulo, com o objetivo de eventualmente expandir o uso do software para outros centros do sistema público em todo o País.

Por enquanto, o BreastOncoPredict está disponível em uma versão destinada exclusivamente à pesquisa e à educação, sem uso clínico aprovado, através do site https://breastoncopredict.com.

O artigo Ensemble machine learning for predicting breast cancer recurrence and mortality using clinical and hemogram data foi publicado na revista npj Breast Cancer e está disponível on-line em versão de manuscrito.

Assinam o trabalho Patricia Honorato Moreira, Arthur Shuzo Owtake Cardoso, Rafael de Oliveira, Joaquim Gasparini dos Santos, Renata Colombo Bonadio, Wesley Antonio Lopes de Lima, Thomas de Almeida Reichmann, Bruna Salani Mota, Alexandre Ferreira Ramos, Flavia Santoro, Roger Chammas e Luciana Rodrigues Carvalho Barros.

A pesquisa foi conduzida no Icesp, hospital vinculado à Faculdade de Medicina da USP, com financiamento do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e do Ministério da Saúde, por meio do Pronon (Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica).

Este texto foi publicado originalmente pela Jornal da USP, em 11 de agosto de 2026, às 8h00. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360.

Fontes

Informação baseada em material público de Poder360, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

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