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Política Revisado por ULTRA AI

Por que as filhas são seguros para a velhice?

Mudança na previdência rural elevou renda esperada na velhice e gerou diminuição no número de filhos

4 min de leitura
Por que as filhas são seguros para a velhice?

Na última quarta-feira (5), o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, ao explicar a importância do papel que atribui às mulheres, disse: "Eu fiz duas filhas exatamente para isso.

Quando eu ficar velhinho, eu vou ter quem vai tomar conta de mim.

Nessa fala, fica explícita uma expectativa presente em diferentes países e condições econômicas: contar com os filhos como proteção para o futuro.

Dezoito anos antes, Pak Sudarno recolhia sucata e criava nove filhos em um bairro pobre de Bandung, na Indonésia. Quando lhe perguntaram se estava feliz por ter tantos, respondeu que sim: entre nove, alguns prosperariam e cuidariam dele na velhice.

Os economistas Abhijit Banerjee e Esther Duflo narram a história em "A Economia dos Pobres" para mostrar como, na ausência de alternativas, decisões sobre o número de filhos podem responder à insegurança econômica.

Sudarno contava com os filhos por falta de alternativas, enquanto Flávio, apesar de ter renda para contratar cuidado, reservava a tarefa às filhas.

Voltando ao Brasil, a expansão da previdência rural mostra como alternativas econômicas mudam as decisões familiares.

Ao elevar a renda esperada na velhice, a medida reduziu a probabilidade de mulheres em idade fértil terem filhos e diminuiu em 1,3 o número de filhos ao final da vida reprodutiva, segundo um estudo de Alexander Danzer e Lennard Zyska.

Contudo, tanto o cuidado quanto as expectativas continuam concentrados nas mulheres. Entre idosos brasileiros com limitações funcionais, 81,8% recebiam apenas auxílio informal de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde de 2013.

No cuidado recorrente, direto e doméstico, elas ocupavam 97,8% dos postos e apenas 32,9% contribuíam para a Previdência, de acordo com a Pnad Contínua. Ou seja, a divisão familiar dos trabalhos de cuidado se reproduz em um mercado de trabalho feminino e pouco protegido.

Ainda assim, essa divisão é aprendida e pode mudar uma vez que as normas sociais dependem tanto do que cada pessoa acredita quanto do que imagina que os outros fazem e esperam dela.

Até o vocabulário pode reforçá-las, por exemplo, dizer que um homem "ajuda" no cuidado pressupõe que a responsabilidade pertence originalmente a uma mulher.

É esse pressuposto que o relatório "Inclusão produtiva e economia do cuidado", da Fundação Arymax e do Instituto Veredas, contesta ao recomendar tratar essas atividades como trabalho qualificado e compartilhado.

Essa possibilidade de mudança foi testada em 314 escolas públicas da Índia, nas quais discussões sobre igualdade de gênero levaram os estudantes a rever o equivalente a 16% das posições inicialmente contrárias à igualdade de gênero.

Mas a mudança de comportamento foi desigual: os meninos relataram fazer mais tarefas domésticas, mas as meninas não relataram fazer menos. Os pesquisadores observaram que eles assumiam novas tarefas por iniciativa própria, enquanto elas dependiam de que outras pessoas aceitassem reduzir a carga de trabalho delas, segundo uma avaliação aleatorizada.

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A redistribuição depende, é claro, de condições que permitam transformar novas atitudes em prática. Sem serviços acessíveis ou renda para contratar ajuda, a tarefa tende a recair sobre quem ganha menos ou já cuida da casa, geralmente uma mulher.

No Brasil, falta entender como as famílias definem quem cuidará antes que a dependência apareça, em que condições renegociam essa divisão e se a comunicação e os serviços mudam o trabalho efetivamente realizado, ou se a profissionalização valoriza o cuidado em vez de apenas transferi-lo de mulheres não remuneradas para mulheres mal remuneradas.

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Fontes

Informação baseada em material público de Folha Poder, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • Folha Poderlink

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