Há quatro anos, no 7 de setembro de 2022, em frente a uma multidão verde e amarela na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, o então presidente Jair Bolsonaro (PL) atacou Lula (PT) com um discurso anticorrupção: "Não sou muito bem-educado, falo palavrões, mas não sou ladrão.
Pouco menos de dois meses depois, ele perderia a eleição presidencial para o petista.
Desta vez é o filho de Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PL), a escolher Copacabana como um marco na disputa pela Presidência. A praia será palco, no domingo (16) pela manhã, do primeiro ato oficial de sua campanha após o registro da candidatura.
Sua equipe também avalia promover um ato na segunda-feira (17) em Juiz de Fora (MG), onde o ex-presidente foi esfaqueado na campanha de 2018. Ainda estão sendo estudadas questões logísticas, mas o entorno do senador garante que, se não agora, a cidade ainda deve aparecer no roteiro da campanha até o dia da eleição.
Também no próximo domingo, Lula marca o início oficial da campanha à reeleição com um ato no estádio 1º de Maio, na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP), onde presidiu assembleias grevistas no final dos anos 1970.
Se há quatro anos Bolsonaro reconhecia não ser "muito bem-educado", seu filho já se preparou para contornar esse problema ao se apresentar como a versão "vacinada", ou moderada, do pai.
Ainda assim, a escolha para dar o pontapé inicial da campanha em Copacabana reforça o vínculo com o ex-presidente e o interesse de Flávio em se colocar como seu sucessor.
Segundo aliados do senador, a decisão foi tomada para tentar resgatar o movimento bolsonarista de rua e despertar o legado do ex-presidente —Copacabana ficou marcada como um dos lugares mais utilizados para manifestações em favor de Bolsonaro, que, assim como Flávio, tem no Rio de Janeiro seu berço político.
Como mostrou a Folha, o parlamentar tem adotado a estratégia de reforçar sua identidade como herdeiro político do pai, emulando signos presentes na estética e no discurso do ex-presidente, que o ungiu como candidato.
A tática se intensificou a partir de julho, diante da série de notícias negativas que atingiram a pré-campanha, como os laços com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e do isolamento que levará Flávio a registrar sua candidatura sem alianças.
Também há críticas internas no PL sobre a falta de mobilização da base bolsonarista.
A aposta na identidade de Bolsonaro ficou clara ainda no slogan "O Brasil vai vencer", que começou a circular nos últimos dias. Em material produzido pela campanha, o "v" de Flávio é emprestado da grafia do ex-presidente em carta escrita por ele no fim do ano passado, quando escolheu o filho como sucessor.
Fontes
Informação baseada em material público de Folha Poder, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.