O número de mortos nas inundações que atingiram o Nepal e o Tibete subiu para 734, segundo balanço da agência de gestão de desastres nepalesa neste domingo (30.ago.
Quase 3.000 pessoas seguem desaparecidas após uma enxurrada de água, lama e detritos atingir comunidades na região do Himalaia.
As autoridades locais estimam 3. 044 desaparecidos, sendo cerca de 2. 400 no Nepal e de 500 a 600 no Tibete, entre moradores, turistas e trabalhadores de usinas hidrelétricas.
Segundo a Reuters, o Nepal suspendeu as operações de busca e resgate no sábado (29.ago) por causa do mau tempo. Narendra Pariyar, principal autoridade do distrito de Rasuwa, um dos mais afetados pela catástrofe, disse que o foco passou a ser o transporte terrestre dos resgatados até a capital Katmandu.
As enchentes destruíram casas, estradas e pontes e interromperam o deslocamento por partes da região. Imagens divulgadas depois da tragédia mostram veículos soterrados, construções cobertas por lama e comunidades praticamente destruídas.
As autoridades nepalesas também permanecem em alerta para o risco de novas inundações. Um lago formado por um deslizamento na região da fronteira começou a transbordar na 6ª feira (28.ago.), o que levou à interrupção temporária das buscas.
As operações foram retomadas depois que o risco diminuiu.
Ainda na 6ª feira (28.ago), o Ministério das Relações Exteriores do Nepal havia divulgado que o país não precisaria de apoio de equipes de busca e resgate de outros países, depois que nações como Índia, China, Estados Unidos, Reino Unido e Japão ofereceram enviar profissionais.
Poucas horas depois, o governo nepalês mudou de ideia, e pediu apoio técnico especializado, sobretudo em áreas onde o país não tem conhecimento suficiente. As prioridades são resgates em túneis de usinas hidrelétricas, recuperação das comunicações e do transporte, identificação de corpos e exames de DNA.
Socorristas da Índia já chegaram ao país e uma equipe chinesa também é aguardada nos próximos dias.
As primeiras informações indicavam que um terremoto de magnitude 4,4 provocou o deslizamento. O USGS (Serviço Geológico dos Estados Unidos), no entanto, corrigiu a avaliação e informou que não houve terremoto.
Segundo o órgão, o sinal sísmico detectado foi produzido pelo colapso de gelo e rochas de uma geleira e pelo fluxo de detritos.
O colapso de uma geleira foi apontado como a causa de uma torrente de rochas, gelo, lama e detritos que desceu pelos rios do Himalaia e atingiu aldeias e infraestruturas ao longo de uma rota utilizada por excursionistas.
A CNN analisou imagens de satélite que mostram o ponto onde cientistas acreditam que parte de uma geleira se desprendeu da montanha.
Índia, Estados Unidos, União Europeia, Austrália, Noruega e organizações internacionais anunciaram ajuda às regiões atingidas. O Itamaraty disse na 4ª feira (26.ago) que não havia registro de brasileiros entre as vítimas e disse que as embaixadas em Katmandu e Pequim acompanham a situação.
Em números
- Quase 3.000 pessoas seguem desaparecidas após uma enxurrada de água