O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou um ofício à Procuradoria-Geral da República (PGR) pedindo esclarecimentos sobre uma mensagem encontrada no celular de Daniel Vorcaro, preso na operação Compliance Zero, em que o ex-dono do Banco Master afirma que precisava de proteção de Paulo Gonet e Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal (PF).
Mendonça cobra PGR sobre mensagem que pede proteção a Vorcaro.
Os primeiros registros sobre possíveis referências a Andrei e Gonet não trazem identificação direta de quem seria o interlocutor. Isso porque, Vorcaro tinha como hábito salvar anotações, tirar prints e encaminhar a foto como visualização única.
A PF encontrou a anotação em um dos celulares de Vorcaro ainda no fim de outubro do ano passado.
Os investigadores produziram um relatório com base no conteúdo apreendido e relatam que, na mensagem enviada, ele descreve a situação do banco e problemas que vinha enfrentando.
Também destacou que recebeu informações confidenciais de integrantes do Banco Central de que “G" (que seria Gabriel Galípolo, Presidente do BC) e os demais diretores estariam sob forte pressão para adotar alguma medida contra a instituição financeira, por conta de uma intensa cobrança por parte da PF e do Ministério Público Federal (MPF).
Tanto a PF quanto o MPF estariam alegando que tomariam providências contra ele, segundo o relato do banqueiro.
O relatório da PF descreve que: "Daniel Vorcaro também afirmou ser importante que o interlocutor reforçasse, junto a Andrei (provavelmente Andrei Augusto Rodrigues, Diretor-Geral da Polícia Federal) e Paulo (provavelmente Paulo Gonet Branco, Procurador-Geral da República), a necessidade de impedir que subordinados, dentro das estruturas hierárquicas da PF e do MPF, praticassem 'alguma sacanagem', pois, segundo ele, 'aí vai tudo pro saco’.
Mendonça é relator das investigações sobre fraudes financeiras envolvendo o Master, e pediu que a PGR se manifeste sobre esses registros encontrados.
O documento foi encaminhado nessa segunda-feira (31) à PGR. O relator do caso estabeleceu um prazo de cinco dias para manifestação.
Procurada, a PGR não retornou os contatos da reportagem.