Ir para o conteúdo
Política Revisado por ULTRA AI

Lula avalia indicar governador do RJ ao STF no lugar de Messias, e aliados defendem saída de Andrei

Rejeitado pelo Senado, nome de chefe da AGU poderia ser reapresentado em caso de reeleição do petista

4 min de leitura
Política — imagem padrão

O presidente Lula (PT) avalia a possibilidade de indicar o nome do governador interino do Rio de Janeiro, o desembargador Ricardo Couto, para o STF (Supremo Tribunal Federal), no lugar do ministro Jorge Messias, na tentativa de debelar a crise que hoje assola a corte.

  • Mensagens de Vorcaro citam Moraes, Gonet e chefe da PF; entenda o caso.
  • Análise: STF em ponto de não retorno.
  • Rio na eleição tenta fugir de intervenções, dependência federal e dos royalties.
  • De petista a bolsonarista, Rio vira palco de disputa particular entre Lula e Flávio.
  • Territorialização do voto no RJ amplia força do crime organizado na política.

Apoiadores da ideia argumentam que a indicação de Couto seria uma demonstração de respeito institucional por parte de Lula, uma vez que, temporariamente, ele abriria a mão da indicação do ministro-chefe da AGU (Advocacia-Geral da União) em prol da pacificação do Judiciário.

Para dimensionar a magnitude do gesto, esses petistas lembram que o governador do RJ não compõe o círculo de amizades do presidente, enquanto Messias é um aliado leal.

Mas a escolha de Couto poderia se converter em capital político no terceiro maior colégio eleitoral do país. Após quatro meses de gestão, o governador interino tem o seu trabalho aprovado por 47% dos eleitores fluminenses e reprovado por 31% de acordo com a mais recente pesquisa Datafolha.

Ainda segundo auxiliares do presidente, o nome de Couto vinha sendo cogitado há cerca de dois meses e voltou à mesa após a eclosão de novo confronto entre ministros.

A informação sobre eventual indicação do governador em exercício ao STF foi publicada inicialmente pela CNN e confirmada pela Folha.

Lula tem elogiado, publicamente, a atuação do desembargador como interventor no estado. No mês passado, durante ato em Bangu, o presidente chegou a falar que o magistrado está fazendo uma limpa do Rio.

O petista disse que, caso chegue ao Palácio Guanabara, Eduardo Paes (PSD) terá de continuar a "limpeza" realizada por Couto. O desembargador assumiu o Executivo em março, após a renúncia de Cláudio Castro (PL), e determinou revisão em contratos e exonerações.

Apesar dos elogios, a retirada de Messias significaria amarga derrota para o presidente, que declarou a intenção de reapresentar seu nome para a vaga após rejeição no Senado.

Por isso, entre aliados de Lula, há quem defenda que essa desistência seja acompanhada da demissão do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Na avaliação de uma ala do governo, embora conte com a confiança do presidente, Andrei está perdendo as condições de liderar a corporação, que segundo esses aliados do presidente está contaminada pelo bolsonarismo.

O alinhamento do diretor-geral com uma ala do STF —integrada pelos ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes— também tem sido alvo de críticas no Palácio do Planalto.

Na terça-feira (1º), essa afinidade foi evidenciada quando Gilmar procurou Lula para cobrar apoio do governo à cúpula da PF. A cobrança se deu em meio a uma queda de braço entre Andrei e o ministro André Mendonça, do STF, sobre a condução das investigações do Banco Master.

O caso ganhou novos contornos após Mendonça determinar a elaboração pela PF de um relatório que expôs trocas de mensagens entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Segundo relatos, na conversa com Lula, o decano do STF afirmou que existe uma disfuncionalidade nas relações entre PF e a Advocacia-Geral da União e o Ministério da Justiça, este chefiado por Wellington César Lima e Silva.

Integrantes da cúpula da Polícia Federal dizem ver omissão da AGU (Advocacia-Geral da União) nos atritos entre a corporação e Mendonça. O órgão comandado por Jorge Messias, por sua vez, tem apontado que a PF propõe medidas que poderiam resultar na anulação de investigações sobre o Banco Master.

A troca de acusações é o último capítulo da disputa que escalou entre a AGU e a PF nos últimos meses. O embate começou quando a Polícia Federal passou a demandar que a AGU atuasse perante o Supremo para tentar reduzir o controle do ministro Dias Toffoli sobre os inquéritos dos quais ele era relator.

Com aval de Lula, a AGU, responsável por representar juridicamente a União, tem se manifestado de forma contrária a esse tipo de demanda.

Comentários

Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.

Carregando comentários…

Fontes consultadas

  • Folha Poderlink

Leia também

Mais em Política