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Lobista ligada a Lulinha, Roberta Luchsinger deve mais de R$ 1 milhão em impostos e acumula processos na

Credores têm perfis diversificados; calotes nos processos judiciais contrastam com vida que a empresária expõe nas redes sociais

6 min de leitura
Lobista ligada a Lulinha, Roberta Luchsinger deve mais de R$ 1 milhão em impostos e acumula processos na

Apontada pela Polícia Federal (PF) como lobista, a empresária Roberta Luchsinger tem uma ficha extensa de processos na Justiça por conta de dívidas que não foram pagas.

Lista completa

  • Roberta Luchsinger diz que pediu apoio a Marcola, mas não pagou, e que Lulinha é amigo antes de Lula ser presidente.

Os processos de Roberta Luchsinger por dívidas sem pagamento.

A lista de credores inclui tapeceiro, escola da filha, loja de roupas, inquilinos, agência de marketing eleitoral, babá, empregada doméstica, além da União e da Prefeitura de São Paulo.

As dívidas e o histórico na Justiça contrastam com a vida exposta por ela nas redes sociais, com uma rotina de viagens frequentes, em hotéis de luxo e jantares em restaurantes regados a vinhos com rótulos prestigiados.

A reportagem analisou nove processos contra Roberta nas Justiças de São Paulo e de Minas Gerais. A análise dos documentos mostra que a empresária, além de não pagar seus compromissos, descumpriu sucessivamente acordos para quitar os débitos.

Em vários casos, a Justiça não conseguiu localizá-la nos endereços ligados a ela e também não encontrou dinheiro nas contas, nem bens associados à empresária. Em dois processos, Roberta chegou a alegar pobreza para não arcar com as custas processuais.

090,57 em impostos federais que não foram pagos ao longo dos anos.

Roberta é investigada pela Polícia Federal (PF) por suspeita de tráfico de influência e corrupção.

Segundo a PF, Roberta se aproveitou das relação com figuras do governo federal para tentar viabilizar contratos com a administração pública.

A PF também apura se Roberta pagou vantagens indevidas a Fábio Luís da Silva, o Lulinha, de quem é amigo. A empresária, Marcola e Lulinha negam as acusações.

O ex-chefe de gabinete diz que apenas pegou um empréstimo com Roberta e que já quitou a dívida. A defesa de Lulinha afirma que ele tinha relação de amizade com a empresária e nunca recebeu dinheiro dela ou do Careca do Inss para facilitar o acesso deles ao governo.

Em 2016, Roberta e uma sócia na empresa procuraram o aposentado Lauro Escobosa Vallejo para convencê-lo a ajudar a encontrar investidores para um filme sobre o designer de carros de luxo Horácio Pagani.

De acordo com aposentado, elas se apresentaram como produtoras de prestígio, com lastro financeiro familiar, para bancar a obra. Lauro foi procurado por ter construído carreira no sistema financeiro.

Até que o valor fosse liberado, houve a necessidade de fazer um “empréstimo-ponte” para dar início à produção do filme.

Ele tentou reverter a situação na Justiça, mas sofreu sucessivas derrotas. Os juízes concluíram que Lauro assumiu o risco ao assinar o contrato que colocou a fazenda como garantia.

A Elephant 2 não tem registro na Ancine (Agência Nacional de Cinema), nem possui no histórico qualquer produção audiovisual conhecida. O contrato assinado com o fundo do Bahrein não tinha a assinatura de nenhum representante do fundo.

Procurada pela reportagem, Roberta afirmou que também foi vítima de um golpe e que Lauro sabia dos riscos ao participar da operação.

Roberta Luchsinger estabeleceu relações com o mundo da política a partir de 2011, quando se casou com o então deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB), que se tornou conhecido anos antes por chefiar a Operação Satiagraha.

Eles se separaram em 2014, ano que terminou o mandato de Protógenes.

Em 2017, Roberta passou a usar como cartão de visitas uma informação falsa: de que era herdeira de um banqueiro suíço, fundador do Credit Suísse.

Segundo integrantes do PT, o destaque temporário que ela recebeu na época permitiu que ela passasse a transitar em setores do partido, ainda que o dinheiro prometido nunca tivesse sido doado.

Em 2018, ela foi candidata a deputada estadual pelo partido, mas não se elegeu.

O registro de casamento do avô da empresária, Pedro Paulo Arnaldo Luchsinger, mostra que ele não era suíço, nem banqueiro. Ele nasceu no Rio de Janeiro em 1927 e era comerciante, dono de uma lavanderia.

Procurada, Roberta reafirmou que o avô nasceu na Suíça, mas admitiu não ter documentos para comprovar essa informação.

Dívida paga com quadros falsos de Portinari.

Alguns dos imóveis que aparecem nas fotos de Roberta nas reportagens de 2017 foram reformados pelo tapeceiro Nilton Cezar Pires, dono de um pequeno comércio no bairro Guarapiranga, extremo sul da capital paulista.

De sofá, cama, forração de parede, tudo”.

Ao longo do processo, a empresária chegou a culpar uma decoradora pelo calote. Também acusou o tapeceiro de ter furtado tecidos importados dela.

A Justiça refutou todas essas acusações e determinou a penhora de bens dela para que a dívida fosse quitada. Um carro de luxo de Roberta, que estava na lista da penhora, desapareceu.

Nilton não conseguiu contratar um perito para avaliar as obras. A reportagem, no entanto, procurou o Projeto Portinari, fundado pelo filho do pintor, que informou que as obras não são verdadeiras.

Quinze anos depois, o calote ainda perturba o tapeceiro. “A gente tem um baque, né? Porque a gente tem funcionário pra pagar, um aluguel de um ponto. Chegamos a vender um carro [para pagar os funcionários].

Calote na boutique, escola, campanha eleitoral e babá.

O quadro foi penhorado, mas sumiu antes de ir a leilão.

Os donos eram um casal de idosos, que usavam o dinheiro da locação como complemento da aposentadoria. O homem morreu durante o processo, sem nunca ter recebido o dinheiro.

Roberta Luchsinger foi alvo de uma ação de despejo por não pagar aluguel, condomínio e IPTU de um apartamento em Higienópolis, outra área nobre da capital paulista.

O apartamento foi alugado em 2019. Como Roberta não pagava as despesas, os proprietários moveram uma ação de despejo em outubro de 2020. A empresária deixou o apartamento em março de 2023, depois de quebrar vários acordos de pagamento.

A dívida, que chegou a quase meio milhão de reais, foi paga de uma vez só em maio de 2024, quando, segundo as investigações da Polícia Federal, Roberta já atuava como lobista em Brasília.

Em 2016, Roberta contratou uma babá e uma empregada doméstica. As duas foram demitidas sem receber verbas rescisórias e outros direitos trabalhistas. O FGTS (Fundo de Garantia sobre Tempo de Serviço) também não foi recolhido.

A Justiça tentou penhorar bens, mas não encontrou nada no nome de Roberta para pagar a dívida.

A empresária foi questionada sobre todos os processos citados na reportagem, mas não quis se posicionar. Limitou-se a encaminhar uma lista com o status de cada processo e os valores das dívidas.

Em números

  • Lobista ligada a Lulinha, Roberta Luchsinger deve mais de R$ 1 milhão em impostos e acumula processos na

Fontes consultadas

  • G1 Políticalink

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