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Executor de homicídio no MA diz que Daniel Brandão participou de 'emboscada' e que versão foi 'ensaiada' na

Em depoimento à PF, Gilbson Júnior afirmou que presidente afastado do TCE-MA o convocou para reunião e, após o crime, ligou mandando ele 'sumir'; ministro Flávi

4 min de leitura
Executor de homicídio no MA diz que Daniel Brandão participou de 'emboscada' e que versão foi 'ensaiada' na

Em depoimento à Polícia Federal (PF), Gilbson Júnior — condenado a 13 anos de prisão por um assassinato em São Luís — afirmou que o crime ocorreu após uma espécie de "emboscada" que contou com a participação direta de Daniel Brandão, conselheiro e presidente afastado do Tribunal de Contas do Maranhão (TCE-MA).

O crime em questão aconteceu em 19 de agosto de 2022, no edifício Tech Office, na Avenida dos Holandeses, bairro Ponta D’Areia, na capital maranhense. João Bosco Sobrinho Pereira, de 46 anos, foi morto a tiros.

As investigações iniciais, feitas pela Polícia Civil do Maranhão, afirmaram que Gilbson matou o empresário após um desentendimento pessoal.

À PF, Gilbson disse que a sua versão inicial sobre o caso foi "ensaiada na mesa do delegado" da Polícia Civil para proteger a família do governador Carlos Brandão.

Trechos do depoimento de Júnior constam na decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou na segunda-feira (17) o afastamento cautelar de Daniel Brandão do cargo por 180 dias.

O conselheiro divulgou um comunicado em que comenta o afastamento e afirma sua "absoluta inocência" (leia nota na íntegra abaixo).

Dino determina afastamento de presidente do TCE do MA.

O executor foi ouvido pela PF em fevereiro de 2026.

Segundo esse relato de Gilbson, Daniel Brandão teria mantido contato telefônico direto para convocá-lo para uma reunião que serviria para discutir ações que a PF classificou como uma organização criminosa voltadas ao desvio de verbas públicas.

Ao chegar no local, Gilbson disse ter sido orientado por Daniel a entrar em um carro e ter ouvido do conselheiro: “Ó, é para fazer do jeito que o tio disse”.

No trecho do depoimento, não fica claro se o "tio" mencionado por Gilbson seria o governador Carlos Brandão, tio de Daniel.

Ao questionar o que estava acontecendo e se recusar a entrar no veículo, Gilbson afirmou que Daniel respondeu apenas que ele deveria "se resolver" e se retirou do local momentos antes dos disparos.

Gilbson relatou ainda que, ao perceber que seria morto pelo grupo, reagiu. “Aí eu viro, eu tiro uma pistola de dentro da bolsa e eu viro, atiro nele pela frente”, contou sobre o momento em que baleou João Bosco.

Fraude no inquérito e 'pagamentos pelo silêncio.

Ainda no depoimento, Gilbson classificou o inquérito policial realizado no Maranhão como uma “fraude processual enorme”.

Segundo ele, a versão de que o tiro teria sido pelas costas foi inventada para incriminá-lo de forma mais grave e omitir o contexto da reunião.

O executor revelou também que, logo após fugir do local, recebeu ligações de Daniel.

As investigações apuram se o assassinato tem ligação com desavenças sobre o pagamento de propinas.

De acordo com Gilbson, o ex-secretário estadual Raimundo Cutrim teria atuado como interlocutor da Família Brandão, oferecendo ao seu pai, Gilbson César Soares Cutrim, "vantagens, dinheiro e casas" para que o nome de Daniel e de outros parentes do governador fossem retirados dos depoimentos.

O ministro Flávio Dino destacou em sua decisão que houve uma "deliberada decisão" da Polícia Civil do Maranhão em não incluir Daniel Brandão na investigação inicial, apesar de sua presença ter sido captada por câmeras de segurança.

Em nota, a defesa de Carlos Brandão afirmou que as citações ao nome do governador nas investigações são inconsistentes e criticou a atuação do STF no caso.

Os advogados afirmam que a condução e a supervisão de investigações sigilosas pela Corte configuram usurpação da competência constitucional do Superior Tribunal de Justiça (STJ), gerando nulidade absoluta por violação ao princípio do juiz natural.

Já Daniel Brandão divulgou o seguinte comunicado.

Tomei conhecimento, por meio da imprensa, da decisão que determinou meu afastamento do cargo de Conselheiro-Presidente do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão.

Embora ainda não tenha sido oficialmente intimado de seu teor, recebo a notícia com profunda perplexidade. Reafirmo, de forma serena e categórica, minha absoluta inocência e minha confiança de que a verdade dos fatos será devidamente esclarecida.

Desde o início, sempre estive e continuo inteiramente à disposição das autoridades e do Poder Judiciário para prestar quaisquer esclarecimentos que se façam necessários, tendo, inclusive, peticionado espontaneamente nos autos, colocando-me à disposição para ser ouvido.

Sempre pautei minha atuação pelo respeito às instituições e ao Poder Judiciário. Por essa mesma razão, embora discorde profundamente da medida adotada, cumprirei integralmente a decisão judicial, ao mesmo tempo em que adotarei, pelos meios legais, todas as providências cabíveis para exercer plenamente meu direito de defesa e demonstrar a verdade dos fatos.

Daniel Itapary BrandãoConselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão.

Fontes

Informação baseada em material público de G1 Política, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • G1 Políticalink

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