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Política Revisado por ULTRA AI

Depois de ter filho, moradora de Porto Alegre confia menos em políticos e cogita voto nulo

Heloisa Vivan, 33, associa desânimo eleitoral à repetição da polarização entre PT e bolsonarismo

3 min de leitura
Política — imagem padrão

São raros os dias de inverno em que a chuva dá trégua em Porto Alegre, por isso Heloisa Vivan, 33, tenta aproveitá-los ao máximo no intervalo do home office. Ao meio-dia, ela calça tênis de caminhada, coloca um agasalho no filho de oito meses e sai para passear na orla do lago Guaíba, no bairro Ipanema.

  • A série Eleitor, esse Desconhecido integra a cobertura especial das eleições deste ano do jornal. A Folha viajou pelo país ouvindo homens e mulheres sobre como a política entra no cotidiano de cada um.

No caminho até o calçadão, Heloisa e o bebê passam por marcas de lama em muros e um número crescente de placas de "vende-se" e "aluga-se" —sinais da enchente histórica de maio de 2024, que atingiu duramente a vizinhança, cada vez menos movimentada.

Uma nova mureta de concreto, construída entre a calçada e a areia para conter futuros avanços da água, também mudou a paisagem da orla.

Além das casas fechadas, um vazio diferente chamou a sua atenção: a falta de sinais de que há uma campanha eleitoral acontecendo no país. Andou por quadras sem ver banners de candidatos nem adesivos em carros estacionados.

O motivo, ela acredita, é a qualidade questionável dos candidatos à Presidência e a exaustão da população —ela inclusa— com a terceira eleição seguida que opõe o PT ao bolsonarismo.

Não acho que isso seja um desejo da sociedade", diz. "É interessante para o PT que o Bolsonaro exista, e é interessante para o Bolsonaro que o PT exista. Um precisa do outro para sobreviver porque eles representam um fantoche do inimigo, eles dão medo um ao outro.

Folha publica série com perfis de eleitores de todas as regiões do país.

Heloisa quer optar por um candidato fora do cenário desenhado para o segundo turno, entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Entretanto, quando assistiu ao debate da Band, não se conectou com nenhum.

Não tem opinião formada sobre Ronaldo Caiado (PSD), não gostou da postura de Renan Santos (Missão) e associa Augusto Cury (Avante) a livros baratos de autoajuda.

Queria ouvir Romeu Zema (Novo), mas sua ausência já fez com que perdesse o interesse no candidato.

Não tem uma terceira via que chegou para acabar com os dois [PT e bolsonarismo]. Os candidatos que temos não são esse caminho", afirma.

Em 2022, votou em Simone Tebet (hoje PSB, à época no MDB) no primeiro turno. No segundo, votou em Lula por considerar que a prioridade era derrotar Jair Bolsonaro (PL).

Fiquei feliz que o Bolsonaro perdeu, não é nem que o Lula venceu.

Ela não se arrepende do voto, mas diz que está decepcionada com o que considera pouca evolução do Brasil no terceiro mandato do petista. "Não vi quase nada mudar.

Só conta para pagar, só imposto a mais, e os gastos subindo.

Não gostaria que o Brasil continuasse com mais quatro anos como está e também não gostaria que fosse para um corrupto de carteirinha, que é o Flávio. Então penso em votar nulo.

Heloisa ainda não sabe em quem vai votar para deputado e senador, e pretende discutir com o marido, que acompanha mais de perto o noticiário político, para decidir.

Reprova a atuação do Congresso, embora diga que tem dificuldade para entender o funcionamento do Legislativo.

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Fontes consultadas

  • Folha Poderlink

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