O empresário Antonio Carlos Freixo Junior, que assinou um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR), afirmou que fez sete repasses, a título de "subscrições de cotas", para o fundo Havengate nos Estados Unidos, usado para financiar o filme "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
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A subscrição de cotas é um processo em que um fundo emite novas cotas para aumentar seu patrimônio, recebendo aporte de investidores. Os valores foram pedidos a Vorcaro pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), hoje candidato à Presidência.
No entanto, acabaram sendo feitas somente sete transações. Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025.
O acordo de delação do empresário foi firmado com a PGR em 8 de agosto e está sob análise do ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF).
Cabe a Mendonça decidir sobre a homologação do acordo.
Antonio Carlos, conhecido como Mineiro, entregou às autoridades os comprovantes das transferências para pagamento das subscrições de cotas e os e-mails que trocou com o responsável pelo fundo Havengate, Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos EUA.
No início de 2025, foi feito contato, por e-mail, com o gestor fiduciário do fundo, Paulo Calixto, para as formalizações necessárias, o que cumulou na assinatura de uma 'Letter of Agreement' [carta de compromisso] em janeiro de 2025, pela Entre Investimentos, prevendo mais de dez subscrições de cotas do Havengate Developmente Fund", disse o dono da Entre.
Antonio Carlos afirmou que não tinha conhecimento do destino dos valores enviados ao fundo Havengate.
A PF investiga se a totalidade do dinheiro foi usada no filme "Dark Horse", como afirma Flávio Bolsonaro e a produtora Go Up, ou se uma parte foi destinada para outros fins — como bancar Eduardo Bolsonaro nos EUA.
Antonio Carlos também afirmou em seu acordo de delação que fez outros pagamentos no exterior, a mando de Vorcaro, por meio de sua empresa Entre Investiments and Arbitrage Ltd.
O empresário disse que, nesses casos, Vorcaro lhe enviava "invoices" (faturas) que deveriam ser pagas. Ele não detalhou quem eram os beneficiários desses pagamentos.
A reportagem apurou que uma das linhas de investigação da PF é se recursos que estavam em paraísos fiscais, como as Bahamas, também foram enviados ao fundo Havengate ou pessoas relacionadas a ele.
Procurado, o advogado do delator, Marco Petrelluzzi, disse que não vai comentar o caso devido ao segredo de Justiça.
A assessoria de Flávio Bolsonaro também foi questionada sobre os relatos do delator, e respondeu que as informações têm sido dadas pela produtora Go Up, que já apresentou as contas do filme.
A Go Up contratou uma auditoria particular que afirmou, em junho deste ano, que as contas de "Dark Horse" estão regulares — mas não tornou públicos os documentos, como as notas fiscais dos gastos do filme.
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