Para o candidato à Presidência Rui Costa Pimenta (PCO), 69, "pela via eleitoral nunca aconteceu nada" de positivo na história do Brasil —mesmo assim, é a quarta vez que ele disputa o cargo mais alto do país, sempre pelo Partido da Causa Operária, em candidaturas que remontam a 2006.
Militante desde a ditadura militar, quando integrou uma organização revolucionária clandestina, Pimenta foi um dos fundadores do partido, dissidente do PT. Diz ter sido expulso da legenda do atual presidente da República por discordar de alianças com o que descreve como figuras sem vínculo com a luta dos trabalhadores, entre elas o então senador José Paulo Bisol, vice de Lula na chapa de 1989.
Desde agosto, Pimenta é alvo de operação da Polícia Federal que apura suspeita de desvio de recursos dos fundos partidário e eleitoral do PCO —incluindo pagamentos a empresas "sem capacidade operacional compatível com os valores recebidos", segundo a PF.
O candidato nega irregularidades. "Estou sendo acusado de desviar verbas. Seria assim, enriquecimento ilícito. Só que eu não sou uma pessoa rica, eu sou pobre, e não fizemos nada de errado.
Nós cumprimos aquilo que é a determinação do TSE para o gasto eleitoral". Para a Justiça Eleitoral, ele declarou não ter bens. "A minha única propriedade mais significativa são meus livros", diz.
Para Pimenta, as eleições brasileiras são controladas por "uma oligarquia política que domina o país desde a época da ditadura", subordinada, por sua vez, aos interesses do que chama de oligarquia financeira e empresarial.
As mudanças vêm pela mobilização do povo, pelas greves do ABC, pelas manifestações, pela campanha das Diretas Já. Tudo que aconteceu no Brasil de positivo foi feito dessa forma.
Pela via eleitoral nunca aconteceu nada", diz.
Questionado se essa visão não coloca em xeque a legitimidade da própria disputa da qual participa, responde que o sistema político é "esclerosado" e que eleições, isoladamente, não garantem que a vontade popular seja atendida —mas afirma ser favorável à manutenção do voto, defendendo uma reforma de fundo do regime político.
As propostas do candidato incluem uma porção dessas reformas, dentre elas, a dissolução da Polícia Militar e a formação de comitês de autodefesa armada de trabalhadores urbanos, rurais e indígenas.
Juntam-se a essa as ideias de extinguir o STF e eleger juízes e procuradores por voto popular com mandatos revogáveis.
Os juízes mandam no país. Nós somos contra a existência de uma corte constitucional, porque se você tem uma corte que está encarregada de interpretar a Constituição, ela é dona da Constituição", diz o candidato, para quem armar os civis diminuiria a violência.
Nós defendemos que o policiamento seja de natureza local, e seja diretamente controlado pela população", acrescenta.
Também é a favor da extinção do Senado, e da nacionalização do voto para a Câmara dos Deputados. O esgotamento do atual sistema é o motivo da polarização hoje vista entre esquerda e direita, argumenta.
O maior erro do governo Lula, segundo Pimenta, é o que chama de submissão ao centrão no Congresso e o apoio a uma "política de censura" que, segundo ele, inclui decisões do STF e processos por crime de opinião.
O candidato queixa-se de ser alvo de processos, inclusive por racismo, por criticar a atuação de Israel em Gaza.
Você não pode falar nada hoje em dia. Um cidadão pegou dois anos de cadeia porque ele falou para um transexual que estava entrando no banheiro feminino que ele não era uma mulher, que ele era trans.
Eu vi aí um monte de gente ser censurado, ser processado. Eu tenho dez processos por crime de opinião, a maioria porque eu ataquei a conduta do Estado de Israel e do sionismo em Gaza", diz.