Carlos Lacerda "parecia não dormir nunca e nem deixar que os outros dormissem", descreveu uma vez o jornalista Newton Carlos. Segundo o governador udenista Juracy Magalhães, ele se comportava "como macaco em loja de louças.
Era extremado mesmo quando se colocava no centro", afirmou o jurista Evandro Lins e Silva, amigo que se afastou de Lacerda. O colunista Paulo Francis, nunca conhecido pela mansidão, achava que ele "perdia as estribeiras no ataque.
Em 1954, quando o major Rubens Vaz pediu a Lacerda para baixar um pouco a bola na virulência contra o governo de Getúlio Vargas —Vaz entraria para os livros de história dali a meses, assassinado a tiros no lugar do amigo no atentado da rua Tonelero—, o jornalista disse que, "se não fosse violento, a campanha não teria efeito.
O país ainda está muito insensibilizado", afirmou o Corvo do Lavradio, naquele que foi um dos anos mais tormentosos da política brasileira. "É preciso sacudi-lo como se sacode um sujeito que dormiu mal à noite e tem que acordar de madrugada para não perder o avião.
O julgamento sobre o legado de Lacerda está aberto desde 1977, quando um infarto o calou para sempre aos 63 anos, mas é fato indiscutível que ele sacolejou o Brasil.
Fontes
Informação baseada em material público de Folha Poder, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.