Projeto da Suzano já colheu 12 mil árvores e mantém operador no comando da máquina fora da área de trabalho.
Uma máquina de colheita florestal comandada a até 350 quilômetros de distância foi usada para cortar 12 mil árvores em Mato Grosso do Sul. A experiência integra projeto de teleoperação desenvolvido pela Suzano em parceria com a Komatsu e a S4E Tech e, segundo as empresas, é a primeira operação de uma máquina Harvester teleoperada em ambiente operacional do setor florestal brasileiro.
A tecnologia usa conexão por satélite, reduz deslocamentos e pode ampliar a inclusão de profissionais, incluindo pessoas com deficiência.
Os comandos partiram da torre de controle florestal da unidade da Suzano em Ribas do Rio Pardo, a 98 km de Campo Grande. Em vez de permanecer na cabine do equipamento, o profissional trabalha em uma estação remota, que reproduz os controles da máquina e recebe imagens em tempo real por meio de câmeras.
Segundo a empresa, a primeira etapa começou em abril e envolveu uma harvester, responsável pela colheita, e uma grua utilizada no carregamento de madeira. A área trabalhada pela colheitadeira equivale a aproximadamente 12 campos de futebol.
Apesar da operação a distância, a máquina não é autônoma. Os movimentos continuam sob responsabilidade do operador. Sete profissionais foram capacitados para os testes, cinco na colheita, entre eles duas mulheres, e dois no carregamento logístico.
Uma das participantes, a operadora de máquinas florestais Beatriz Carolina Gonçalves, conta que imaginava encontrar algo semelhante a um controle remoto, mas se deparou com um cockpit que reproduz as condições da máquina.
Menos tempo na estrada - Um dos efeitos avaliados é a redução dos deslocamentos. Atualmente, segundo a Suzano, um operador pode gastar cerca de duas horas no trajeto até a frente de colheita.
A mudança também pode ampliar o perfil dos profissionais aptos à atividade. Segundo Rodrigo Zagonel, diretor de Operações Florestais da Suzano em Mato Grosso do Sul, os testes indicam possibilidade de inclusão de outros públicos, inclusive pessoas com deficiência.
Conexão por satélite - Um dos principais desafios foi manter a comunicação com equipamentos que trabalham em áreas sem infraestrutura de telecomunicações e mudam de localização conforme a colheita avança.
A conexão entre a torre e a máquina é feita por satélite. O sistema possui mecanismos de segurança que interrompem automaticamente o equipamento se houver perda de comunicação ou alguma condição anormal.
A teleoperação, no entanto, ainda alcança uma parcela pequena da estrutura da companhia no Estado. Mais de mil operadores trabalham na colheita e no carregamento de madeira em Mato Grosso do Sul, onde são colhidos 19 milhões de metros cúbicos por ano em cerca de 100 mil hectares.
Próxima fase - A busca por tecnologias adaptáveis à operação florestal começou em 2024. No ano seguinte, a S4E Tech realizou uma visita técnica a Mato Grosso do Sul para mapear os desafios e, em abril de 2026, as duas máquinas começaram a ser comandadas a distância.
A primeira fase avaliou a segurança, possíveis limitações relacionadas à distância entre operador e equipamento e ajustes necessários. Nos próximos meses, o projeto deverá entrar na fase piloto, incorporando as melhorias identificadas e com previsão de escalonamento gradual.
Segundo as empresas envolvidas, projetos de colheita florestal teleoperada também são desenvolvidos em países como Suécia, Finlândia, Nova Zelândia, Canadá e Japão, ainda em fases de pesquisa, protótipo ou demonstração.
Em números
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