O produtor de soja de Mato Grosso do Sul chega ao planejamento da safra 2026/2027 diante de uma combinação de fatores que pode pressionar o resultado da lavoura: custos elevados, endividamento, juros, condições climáticas e ritmo de compra de fertilizantes.
A produtividade de referência adotada é de 52,4 sacas por hectare, correspondente à média das últimas cinco safras.
O estudo foi elaborado com base na Norma de Custo de Produção 30. 302 da Conab, adaptada à realidade da agricultura empresarial de soja em Mato Grosso do Sul. Os coeficientes técnicos e os preços dos insumos foram levantados com produtores rurais, técnicos de campo e fornecedores da região, com cotações realizadas entre 1º e 30 de julho de 2026.
Entre os insumos, os fertilizantes representam 27,21% do custo total, enquanto os defensivos correspondem a 21,32%. Apenas esses dois grupos somam quase metade de todo o custo necessário para produzir a soja.
O estudo aponta a antecipação das compras como uma das principais alternativas para reduzir a pressão sobre o orçamento da lavoura. A recomendação é aproveitar períodos de preços mais favoráveis antes do início do plantio, previsto para setembro.
O frete foi calculado considerando uma distância de referência de 80 quilômetros entre a propriedade e o ponto de armazenagem ou comercialização.
Para o analista de Economia Raphael Gimenes, esses componentes também precisam entrar na conta antes da contratação da safra.
Já quando são considerados somente os valores efetivamente desembolsados, o ponto de equilíbrio cai para 38,54 sacas por hectare.
Arrendamento coloca produtor acima da média de produtividade - A situação é mais apertada para quem produz em terras arrendadas. O estudo considera como referência um pagamento médio de 15 sacas de soja por hectare ao proprietário da terra.
O número fica acima da produtividade de referência de 52,4 sacas por hectare. Segundo o estudo, o arrendatário precisa alcançar produtividade superior à média apenas para cobrir seus custos, ficando mais exposto a oscilações de produtividade, preços e despesas.
A Aprosoja/MS aponta que o cenário reforça a necessidade de negociar valores de arrendamento compatíveis com a produtividade efetiva dos talhões e de incluir essa despesa no fluxo de caixa e na definição do preço mínimo de venda da produção.
Frete já entra no custo - Outra mudança destacada no estudo é a inclusão do transporte no Custo Total a partir da safra 2026/2027. O cálculo considera uma distância de referência de 80 quilômetros entre a propriedade e o ponto de armazenamento ou comercialização.
Clima entra no planejamento da safra - Além da conta financeira, o produtor precisa considerar o comportamento do clima durante o ciclo da soja. A previsão para Mato Grosso do Sul entre setembro e novembro indica chuvas próximas ou acima da média, mas com possibilidade de irregularidade na distribuição das precipitações, especialmente no começo da transição entre o período seco e o chuvoso.
O cenário também aponta temperaturas acima da média e possibilidade de períodos de calor intenso e ondas de calor. A previsão do Cemtec/Semadesc indica ainda a permanência do El Niño, que pode influenciar as condições climáticas no Estado.
Assim, mesmo com a perspectiva de volumes de chuva próximos ou superiores à média, a distribuição das precipitações é um fator que pode interferir no planejamento do plantio e no desenvolvimento da lavoura.
Esse resultado representa uma redução de 13,2% em relação à safra anterior. A produtividade projetada é justamente a mesma utilizada pela Aprosoja/MS como referência para calcular o custo e a margem da nova safra.
Por isso, a margem positiva indicada no estudo não deve ser interpretada como garantia de resultado. O próprio levantamento ressalta que o ganho projetado é sensível a três fatores principais: produtividade efetivamente obtida, preço de venda no momento da comercialização e variação dos preços dos insumos entre a contratação e a aplicação.
Planejamento começa antes do plantio - Com o plantio previsto para começar em setembro, julho e agosto são apontados pelo estudo como período decisivo para organizar a contratação de insumos, máquinas e crédito rural.
Na avaliação da Aprosoja/MS, o produtor deve monitorar especialmente os custos dos insumos, do diesel, do crédito e da logística. A entidade também aponta a possibilidade de comparar periodicamente o preço futuro da soja com o Custo Total para avaliar estratégias de comercialização antecipada.
O estudo conclui que, com a produtividade de referência de 52,4 sacas por hectare, a safra 2026/2027 mantém uma margem positiva para o produtor proprietário. Ao mesmo tempo, ressalta a sensibilidade dessa margem aos custos de insumos, crédito e logística, fatores que podem ser acompanhados e, quando possível, contratados ou fixados antes do início do plantio.
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