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Polícia

?Panelas’ disputavam fama ao atrair vítimas para atos de violência, revela polícia após morte de menina em

Segunda fase da Operação Lívia apreendeu seis adolescentes em cinco estados e no DF; polícia afirma que cerca de 90% dos integrantes identificados são menores d

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?Panelas’ disputavam fama ao atrair vítimas para atos de violência, revela polícia após morte de menina em

A 2ª fase da Operação Lívia, que apreendeu seis adolescentes nesta terça-feira (15), expôs novos elementos sobre a atuação de grupos virtuais envolvidos na indução de crianças e adolescentes à automutilação e, em casos extremos, ao suicídio.

  • Grupo ligado à morte de menina de 13 anos era ‘secreto’ e só aceitava usuários por convite, diz Discord.
  • ESCRAVIZAÇÃO VIRTUAL: Como era esquema usado para induzir menina ao suicídio.
  • EXCLUSIVO: Mãe de menina de 13 anos induzida ao suicídio falou com g1 e deixou alerta.
  • APREENSÃO: Adolescentes foram apreendidos com itens neonazistas e conteúdos de abuso infantil.

Mãe de menina induzida ao suicídio faz alerta às famílias.

Conforme as investigações, os grupos virtuais, conhecidos como “panelas”, disputavam reconhecimento ao atrair vítimas para os chamados “eventos” de violência. Quanto mais extremo era o conteúdo produzido por uma “panela”, maior seria o “hype” — termo usado pelos integrantes para se referir ao reconhecimento conquistado dentro dos grupos.

O estopim da investigação que culminou na apreensão dos adolescentes foi a morte da adolescente sul-mato-grossense Lívia, de 13 anos, em julho de 2026, após uma transmissão ao vivo no Discord.

Ao g1, o Discord informou que um servidor privado investigado pela plataforma no contexto do caso da morte da adolescente em Mato Grosso do Sul só podia ser acessado por convite e não era encontrado por outros usuários.

Segundo a empresa, pessoas envolvidas em atividades criminosas teriam incentivado a automutilação no espaço, que foi desativado antes da morte da adolescente. Ao detalhar o que identificou, o Discord afirmou.

A empresa não informou quantas pessoas participavam do servidor nem quem administrava o espaço. O Discord também afirmou que o caso envolveu diferentes plataformas e que o governo compartilhou evidências indicando que a morte da adolescente ocorreu em outro serviço.

A empresa não informou qual. A nota do Discord na íntegra está disponível no fim da reportagem.

🔎O Discord é uma plataforma de comunicação bastante utilizada por jogadores de games online e também por adolescentes. A empresa tem sido alvo de críticas e investigações relacionadas a falhas na moderação de conteúdo e na verificação da idade dos usuários.

Em nota, a plataforma informou que utiliza "uma combinação de tecnologia avançada e equipes de segurança especializadas para identificar e remover proativamente conteúdos que violem nossas políticas.

A segunda fase da Operação Lívia foi realizada pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), com apoio da investigação cibernética e do CyberLab.

Foram cumpridos seis mandados contra adolescentes de 14 a 17 anos no Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Rio Grande do Sul e Distrito Federal. Os novos alvos foram identificados após a análise de celulares e outros materiais apreendidos durante a primeira fase da operação.

As investigações apontam para a utilização de mecanismos de chantagem, manipulação e coerção psicológica contra adolescentes em situação de vulnerabilidade, com o objetivo de submetê-los às determinações dos integrantes desses grupos.

Segundo a delegada Anne Karine Sanches Trevizan, a polícia continua trabalhando para identificar todas as pessoas que participavam das “panelas” e que tiveram relação com a morte de Lívia.

Cerca de 90% dos integrantes identificados até agora são adolescentes. Um adulto também foi identificado. A polícia encontrou ainda outras possíveis vítimas, algumas delas que não haviam contado aos pais que estavam sendo ameaçadas ou manipuladas.

Segundo a investigação, as “panelas” tinham administradores, pessoas responsáveis por atrair novos integrantes e participantes que acompanhavam ou incentivavam os chamados “eventos”.

Os grupos também disputavam reconhecimento. Quanto mais extremo era o conteúdo produzido, maior seria o prestígio conquistado entre os integrantes. Para a polícia, a morte de Lívia teria representado o ponto máximo de violência buscado pelo grupo investigado.

As vítimas eram procuradas em redes sociais e plataformas de conversa. A aproximação começava de forma aparentemente amistosa e, em alguns casos, os investigados se passavam por pessoas da mesma idade ou do mesmo sexo para conquistar a confiança dos adolescentes.

Depois, apresentavam os grupos às vítimas. Quando elas não aceitavam participar, as ameaças poderiam começar. A polícia encontrou casos em que nomes, telefones e fotos de familiares eram utilizados para intimidar os adolescentes.

O Discord também afirmou que o caso envolveu atividades em diferentes plataformas e disse considerar que a situação vem sendo tratada de forma isolada no debate público.

Segundo a empresa, “o governo compartilhou com o Discord evidências indicando que a morte da adolescente ocorreu em outra plataforma”.

A empresa negou ainda falta de cooperação com as autoridades brasileiras. Segundo o Discord, a plataforma mantém diálogo com a Advocacia-Geral da União (AGU), concordou, em princípio, com os termos apresentados pelo órgão e entregou três versões de uma proposta.

A plataforma afirma que foi a AGU que encerrou as negociações e diz que a falta de coordenação entre órgãos federais e de clareza sobre as medidas solicitadas tem dificultado as discussões.

O Discord também rebateu a caracterização feita pela Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e afirmou que grupos ou indivíduos que promovam ou incentivem violência “não têm lugar” na plataforma.

Segundo a empresa, equipes especializadas atuam para identificar ameaças, possíveis vítimas e grupos violentos, além de remover conteúdos e usuários que violem suas políticas e fornecer informações às autoridades quando necessário.

Atualmente, o Discord continua disponível no Brasil, mas as funcionalidades de comunicação por vídeo em tempo real estão suspensas. Mensagens, servidores, canais de voz e chamadas somente de áudio continuam funcionando, segundo a empresa.

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