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Negócios Revisado por ULTRA AI

Quando é a hora certa de largar mão de uma ação com perda?

Estabelecer antes os limites de perdas e ganhos para os investimentos pode evitar decisões precipitadas e o "casamento" com uma aplicação ruim

6 min de leitura
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O Ibovespa voltou a subir nesta semana, apesar do recuo na sexta-feira (10), com o mercado precificando uma disputa eleitoral mais acirrada, mas ainda longe de compensar a perda de alguns papéis mais “surrados” da Bolsa.

Diante da aparente esperança de melhora para quem está comprado nesse tipo de ação, o investidor pode se perguntar: afinal, qual é a hora certa de vender, especialmente com a renda fixa tão atrativa.

O mercado tem vários exemplos que mostram a importância de o investidor definir limites de perdas para se proteger, o chamado stop loss. Um caso que ganhou repercussão recente foi o da gestora de recursos Squadra Investimentos, que admitiu que o investimento em Hapvida (HAPV3) foi seu maior erro, prejudicando os resultados dos fundos da casa desde o ano passado, quando os problemas da companhia ficaram mais visíveis.

Para ele, a grande maioria dos investidores de ações no Brasil deixa para pensar na venda do papel quando ele já está caindo e com um prejuízo acima do esperado.

É nesse cenário que o investidor “casa com o papel”, ou seja, fica sem coragem de assumir um prejuízo muito alto e abdica de outros investimentos que façam sentido para seu portfólio, diz Schroeder.

Taxas do Tesouro despencam com mercado voltando a precificar eleição acirrada.

Especulação de que Flávio Bolsonaro apareceria bem posicionado na pesquisa AtlasIntel/Bloomberg derrubou as taxas mesmo antes de a sondagem ser divulgada – e confirmar a expectativa dos agentes.

Ibovespa mantém alta de mais de 1% após AtlasIntel confirmar especulações do mercado.

Flávio conta com 46,4% dos votos em potencial segundo turno, ante 46,2% do petista.

Isso não significa que uma ação que caiu não possa se recuperar, reforça o especialista. “O ponto é que o investidor precisa ter critérios claros e racionais para reavaliar sua tese de investimento e entender os riscos envolvidos”, diz.

Assim, por mais que uma empresa passe por um processo de reestruturação, a recuperação pode levar muito tempo, e o retorno do preço da ação não necessariamente acompanha o desenvolvimento do negócio.

O oposto também pode acontecer, alerta Schroeder. Há investidores que compram ações que obtêm uma grande valorização, mas, por não terem expectativas pré-definidas, correm o risco de perder os ganhos caso aquele lucro se transforme em prejuízo, ou no mínimo que passe a perder para o CDI ao longo dos anos.

Ele defende que o investidor determine o quanto aceita perder (stop loss), e o quanto pretende ganhar na compra de uma ação (stop gain) antes mesmo de efetuar a aplicação.

Além disso, o Brasil tem uma das maiores taxas de juros do mundo, e isso precisa fazer parte da conta do investidor, lembra o profissional. “Se o investidor está disposto a correr riscos, deve estar igualmente disposto a estabelecer previamente os limites que considera aceitáveis para suas operações”, diz.

O limite de perda não serve para proteger o dinheiro, mas para proteger o investidor dele mesmo, diz Flavio Terni, cofundador do family office Revert. “Quando uma ação cai, a tendência natural é buscar argumentos para continuar no papel, porque vender significa admitir o erro”, explica.

Assim, o limite definido antes, com a cabeça fria, é a única defesa contra a decisão tomada com a cabeça quente. “E vale nos dois sentidos: sem um alvo de saída no ganho, o investidor transforma lucro em torcida e devolve o resultado esperando ‘só mais um pouco’”, explica.

Schroeder, da Mirae, admite que não existe uma regra para a definição do stop loss. “Depende da tese de compra do papel, do tipo de análise, se é baseada nos fundamentos da empresa ou se é simplesmente uma análise gráfica”, diz.

Depende também do apetite do investidor a riscos. “A grande questão é que não definir um limite de perda pode gerar prejuízos catastróficos para a carteira do investidor”, alerta.

O executivo considera um bom parâmetro a regra de 1 para 3. Se o objetivo de lucro com a compra da ação é de 15%, por exemplo, o limite de perda seria de 5%. “Esse parâmetro não é uma regra batida em pedra, mas ajuda o investidor a definir um limite de prejuízo naquela ação”, afirma Schroeder.

Terni, da Revert, vê três caminhos práticos para limitar as perdas e preservar os ganhos. O primeiro é definir um percentual sobre o preço de entrada. “É simples e funciona: perdeu 15%, 20%, sai e reavalia”, diz.

O segundo, mais sofisticado, é a tese: escrever antes de comprar por que está comprando e o que invalidaria essa razão. “Se o motivo da compra deixou de existir, sai, mesmo que a perda seja pequena, mesmo que o papel pareça barato”, explica.

O terceiro é o tamanho: nenhuma posição deveria ser grande o bastante para que o erro comprometa o patrimônio. “O limite mais importante não é o ponto em que você sai, é quanto você colocou”, afirma.

Mais importante do que estabelecer simplesmente um percentual máximo de ganho ou perda é o investidor saber qual é o valor justo que atribui à empresa e quais fundamentos sustentam essa avaliação, afirma Gustavo Assis, CEO da gestora Asset.

Uma queda da ação, isoladamente, não significa necessariamente que seja o momento de vender, observa Assis. O problema ocorre quando os fundamentos que justificaram o investimento começam a se deteriorar.

Esse processo também ajuda a combater um dos principais vieses comportamentais do investidor, que é a aversão à perda. “Muitas vezes, a pessoa se apega ao preço que pagou e permanece no ativo esperando simplesmente recuperar o dinheiro, mesmo quando a empresa já não apresenta os mesmos fundamentos”, explica Assis.

O mesmo raciocínio vale quando há valorização. “Comprar uma ação não encerra o processo de análise; é justamente quando começa o monitoramento da tese”.

Terni, da Revert, vê o caso da Squadra com Hapvida não como falha do gestor, mas parte inevitável do ofício. “Qualquer um que invista em ações por tempo suficiente vai errar em algum papel, e quem diz que não erra ou está começando ou não está contando a história toda”, afirma.

Para ele, o que a Squadra fez é exatamente o que diferencia uma gestora séria: escreveu aos cotistas assumindo o erro, detalhou onde falhou – no preço, nas perspectivas do negócio e na avaliação dos administradores – e redimensionou a posição.

Para Assis, da Asset, o caso da Squadra mostra que mesmo investidores profissionais, com equipes qualificadas, modelos financeiros e acesso a uma grande quantidade de informações, podem errar uma tese.

Se essas premissas mudam, a estratégia também precisa mudar.

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Fontes consultadas

  • InfoMoneylink

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