Ir para o conteúdo
Negócios Revisado por ULTRA AI

'Golpe das tarefas': como uma falsa vaga de home office fez uma trabalhadora perder R$ 1,2 mil

A vítima recebeu pequenas quantias por tarefas simples, como avaliar empresas no Google, antes de ser convencida a fazer sucessivos depósitos via PIX. Especiali

7 min de leitura
'Golpe das tarefas': como uma falsa vaga de home office fez uma trabalhadora perder R$ 1,2 mil

No início, o esquema pede que a vítima cumpra tarefas online, como avaliar empresas no Google, em troca de pequenas recompensas.

🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1.

O golpe ganha corpo quando os criminosos passam a exigir depósitos via PIX, sob o argumento de aumentar os lucros, como em supostas operações com criptomoedas ou outras justificativas do tipo.

Na etapa final, a vítima faz um depósito mais alto e não recebe nenhum retorno.

Eu não me lembrava de ter enviado currículo para nenhuma vaga, mas resolvi entrar em contato porque parecia uma oportunidade de renda extra", contou a vítima, em um relato publicado por ela no TikTok, que já soma mais de 2 milhões de visualizações.

Ao dizer que não tinha esse valor, recebeu a informação de que não conseguiria recuperar nenhum dos depósitos anteriores. "Foi aí que percebi que era um golpe. Eles diziam que, se eu não continuasse pagando, perderia tudo o que já tinha enviado”, diz a vítima.

Depois de pesquisar sobre o caso, ela descobriu que o saldo exibido na plataforma era fictício e que o único dinheiro efetivamente transferido havia sido o PIX enviado aos golpistas.

Segundo a plataforma SOS Golpe, as fraudes relacionadas a falsas oportunidades de emprego e promessas de renda extra cresceram 56% entre março e abril deste ano.

A modalidade ocupa a segunda posição entre as fraudes mais denunciadas à plataforma, com 17,9% dos registros, atrás apenas do golpe da loja ou empresa pouco conhecida, responsável por 20,9% das denúncias.

Veja alguns sinais de que a vaga pode ser um golpe.

A busca por recolocação profissional tem se tornado alvo de uma fraude cada vez mais comum no ambiente digital. A principal isca utilizada pelos criminosos são vagas consideradas "imperdíveis", com salários acima da média, benefícios atrativos e processos seletivos simplificados.

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) fez um alerta sobre o aumento das tentativas de obtenção indevida de dados pessoais, informações bancárias e pagamentos sob o pretexto de participação em processos seletivos, realização de exames admissionais ou cursos supostamente obrigatórios.

🔎 A entidade orienta que os candidatos confirmem a autenticidade das vagas nos canais oficiais das empresas, verifiquem a identidade dos recrutadores antes de compartilhar informações pessoais e desconfiem de ofertas com salários muito acima da média.

Jonathan Ramos, pesquisador de segurança da ESET Brasil, afirma que os golpes envolvendo falsas oportunidades de emprego têm se diversificado, mas costumam seguir um mesmo objetivo: convencer a vítima a transferir dinheiro ou fornecer dados pessoais.

O criminoso cria uma relação de confiança pagando pelas primeiras tarefas. Depois, começa a exigir depósitos para liberar novas atividades ou supostos lucros. É nesse momento que a vítima perde o dinheiro e o golpista desaparece", explica.

Outra modalidade comum, segundo Ramos, é a das falsas vagas de emprego com cobrança de taxas. Nesse caso, a vítima acredita ter sido aprovada em um processo seletivo, mas é informada de que precisa pagar por cursos, certificados, treinamentos ou exames admissionais para assumir a vaga.

O especialista também chama atenção para golpes voltados ao roubo de identidade. Os criminosos simulam processos seletivos e solicitam selfies, vídeos e fotografias de documentos pessoais.

Posteriormente, esse material pode ser utilizado para abrir contas bancárias, contratar empréstimos e cometer outras fraudes em nome da vítima.

Os golpistas costumam utilizar o nome de empresas conhecidas para transmitir credibilidade e aumentar as chances de convencer a vítima", afirma Ramos.

Entre os principais sinais de alerta, o pesquisador destaca promessas de salários elevados para funções com poucos requisitos, processos seletivos conduzidos exclusivamente por aplicativos de mensagens e pedidos de pagamento durante qualquer etapa da contratação.

Ele também recomenda que candidatos evitem compartilhar documentos pessoais antes da aprovação no processo seletivo e do recebimento de uma proposta formal de emprego.

Como se proteger do golpe do falso emprego.

A pedido do g1, os especialistas também compartilharam outras orientações para as pessoas se protegerem do golpe.

Caí em um golpe. Vou recuperar meu dinheiro.

Para casos de golpe envolvendo PIX, o Banco Central dispõe do Mecanismo Especial de Devolução (MED), ferramenta que permite aos bancos tentar bloquear e devolver os recursos enviados ao fraudador.

O mais rápido possível, assim que detectar que sofreu o golpe, entre em contato com seu banco e reporte o problema. Tenha sempre o comprovante do PIX em mãos, que contém informações importantes sobre quem recebeu o valor", orienta o consultor do Banco Central Breno Lobo.

Segundo ele, o primeiro passo é comunicar imediatamente o banco para que a instituição possa acionar o MED e tentar bloquear o dinheiro antes que ele seja sacado ou transferido.

A vítima tem até 80 dias, contados a partir da transação, para solicitar a devolução.

Após o registro da contestação, o banco da vítima aciona o Banco Central, que comunica o banco do recebedor para bloquear os recursos disponíveis até o valor da fraude.

Em alguns casos, porém, não há saldo suficiente para o bloqueio", explica.

O caso é analisado em até sete dias. Se a fraude não for confirmada, os valores são desbloqueados. Caso seja comprovada, o dinheiro disponível pode ser devolvido à vítima, total ou parcialmente, em até 96 horas.

Uma das limitações do mecanismo é justamente a necessidade de haver saldo na conta usada pelo golpista, já que, em alguns casos, os criminosos sacam ou transferem o dinheiro rapidamente.

Se não houver recursos suficientes para a devolução integral, o banco do recebedor deve monitorar a conta e realizar novos bloqueios sempre que houver entrada de dinheiro, até que o valor seja recuperado ou se completem 90 dias da transação original.

Se, ao fim desse período, não houver recursos suficientes, o MED é encerrado. O banco da vítima não é obrigado a usar dinheiro próprio para cobrir o prejuízo.

Nesse caso, ainda é possível buscar outras formas de tentar recuperar o valor, como recorrer ao Procon ou à Justiça, além de registrar uma reclamação no Banco Central.

Lobo ressalta ainda que o MED não se aplica a desacordos comerciais ou problemas relacionados à compra de produtos e serviços.

O mecanismo também pode ser utilizado em casos de falha operacional no Pix, como uma transferência realizada em duplicidade pela instituição financeira. Se o erro for confirmado, o dinheiro deve ser devolvido em até 24 horas.

Por isso, embora exista um prazo de até 80 dias para solicitar o MED, a orientação é avisar o banco assim que o golpe for identificado. Quanto mais rápido o pedido for feito, maiores são as chances de encontrar recursos na conta do fraudador antes que sejam movimentados.

Até o momento, Ester afirma que não recebeu a devolução do dinheiro enviado aos golpistas. Segundo ela, registrou uma reclamação no Banco Central e anexou prints das conversas com os criminosos, os comprovantes dos PIX e o protocolo da solicitação aberta junto ao banco.

Como se identifica o adoecimento mental no trabalho.

Em números

  • Da extra", contou a vítima, em um relato publicado por ela no TikTok, que já soma mais de 2 milhões de visualizações
  • Golpe das tarefas': como uma falsa vaga de home office fez uma trabalhadora perder R$ 1,2 mil

Fontes

Informação baseada em material público de G1 Economia, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • G1 Economialink

Leia também

Mais em Negócios