Um número sem precedentes de empresas americanas emitiu títulos de dívida na Europa nesta quarta-feira (9), atraídas pela liquidez e pelas condições mais favoráveis do mercado europeu, enquanto o mercado doméstico dos EUA sofre pressão devido à enxurrada de endividamento ligada aos investimentos em inteligência artificial.
A Amazon concluiu a emissão de seu primeiro título denominado em libras esterlinas, enquanto a Uber finalizou sua estreia no mercado de dívida em euros. Outras quatro companhias americanas também realizaram operações neste mesmo dia.
Segundo dados compilados pela Bloomberg, é a primeira vez que a Europa registra um volume tão grande de emissores dos EUA em um único dia.
Empresas americanas, incluindo bancos, estão buscando fontes alternativas de financiamento à medida que o maior mercado de títulos do mundo sente os efeitos do enorme volume de captações realizadas por companhias envolvidas na corrida pela inteligência artificial.
A avalanche de emissões das chamadas hyperscalers, gigantes de tecnologia com extensas operações de computação em nuvem, reduziu o espaço para outros emissores e é apontada como um dos fatores que contribuíram para a alta dos rendimentos dos Treasuries.
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O custo de carregar dívidas em euros continua significativamente menor para empresas com grau de investimento do que o custo de financiar-se em dólares, um fator especialmente relevante para multinacionais que geram parte importante de suas receitas na Europa.
Ainda assim, captar recursos em euros e depois converter o montante para dólares por meio de operações de hedge cambial tem custado praticamente o mesmo que emitir dívida diretamente na moeda americana nas últimas semanas, segundo cálculos da Bloomberg.
Além do custo, a Europa oferece outra vantagem às empresas dos EUA. As avaliações permanecem relativamente atraentes porque a maior parte das emissões das hyperscalers ocorreu nos Estados Unidos.
Alguns investidores, contudo, alertam que esse benefício pode diminuir caso o mercado europeu absorva um volume muito maior de novas dívidas.
Situação semelhante ocorreu com a Alphabet, controladora do Google, no início deste ano.
Novas emissões na moeda americana, portanto, seriam apenas oportunísticas.
Apesar disso, a participação de empresas americanas no mercado europeu de títulos corporativos de alta qualidade aumentou menos de um ponto percentual desde o início de 2025, já que companhias europeias também vêm aproveitando a forte demanda dos investidores por crédito corporativo.
Ainda assim, a expectativa é que as emissões de empresas americanas no exterior, especialmente das gigantes de tecnologia, continuem crescendo à medida que as projeções de gastos com infraestrutura de inteligência artificial seguem aumentando.
Além disso, muitas companhias buscam reduzir a exposição à volatilidade política nos EUA.
Em números
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